História & Estórias

Posts tagged ‘Criança’

O PROBLEMA DE TENTAR AGRADAR A TODOS

O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar.

Fernando Pessoa

O HOMEM, SEU FILHO E O BURRO

Um homem ia com o filho levar um burro para vender no mercado.
– O que você tem na cabeça para levar um burro estrada afora sem nada no lombo enquanto você se cansa? – disse um homem que passou por eles.
Ouvindo aquilo, o homem montou o filho no burro, e os três continuaram seu caminho
– Ô rapazinho preguiçoso, que vergonha deixar o seu pobre pai, um velho andar a pé enquanto vai montado! – disse outro homem com quem cruzaram.
O homem tirou o filho de cima do burro e montou ele mesmo. Passaram duas mulheres e uma disse para a outra:
– Olhe só que sujeito egoísta! Vai no burro e o filhinho a pé, coitado…
Ouvindo aquilo, o homem fez o menino montar no burro na frente dele. O primeiro viajante que apareceu na estrada perguntou ao homem:
– Esse burro é seu?
O homem disse que sim. O outro continuou:
– Pois não parece, pelo jeito como o senhor trata o bicho. Ora, o senhor é que devia carregar o burro em lugar de fazer com que ele carregasse duas pessoas.
Na mesma hora o homem amarrou as pernas do burro num pau, e lá se foram pai e filho aos tropeções carregando o animal para o mercado. Quando chegaram, todo mundo riu tanto que o homem, enfurecido, jogou o burro no rio, pegou o filho pelo braço e voltou para casa.
Moral: Quem quer agradar todo mundo no fim não agrada ninguém.

 

Fábulas de Esopo

 

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Meninos de Todas as Cores e os Direitos da Criança

O Dia Mundial da Criança em Portugal é celebrado a 1 de Junho. A data é celebrada em vários países, contudo a data de comemoração difere de país para país.
As Nações Unidas aprovaram a 20 de Novembro de 1959 a Declaração dos Direitos da Criança. Estava-se num período pós 2ª Guerra Mundial, em 1945. Os países da Europa e Oriente , viviam uma grave crise económica e social. As populações destes países viviam muito mal, em especial as crianças. Muitas crianças ficaram órfãs, com muita fome, viviam em condições desumanas de sobrevivência, e muitas das que tinham ainda seus pais vivos foram obrigadas de ir trabalhar para contribuir para o sustento da família.
Foi quando em 1946, a ONU (Organização das Nações Unidas), procurou mudar esta situação, criou a UNICEF que é conhecida mundialmente pelo que faz pelas crianças em todo o mundo! Em 1950 a Federação Democrática Internacional das Mulheres, propos à ONU que se criasse um dia dedicado às crianças em todo o mundo. Este dia foi comemorado pela primeira vez em 1 de Junho de 1950. A ONU reconheceu desde então que qualquer criança, independentemente da raça, cor, sexo, o direito a:

    1. amor e compreensão;
    2. alimentação;
    3. cuidados médicos;
    4. educação ;
    5. protecção contra todas as formas de exploração;
    6. crescer num clima de Paz .

Clica aqui para veres um powerpoint sobre os Direitos da Criança Direitos_criança

Meninos de todas as cores

    Era uma vez um menino branco chamado Miguel, que vivia numa terra de meninos brancos e dizia:

      É bom ser branco
      porque é branco o açúcar, tão doce,
      porque é branco o leite, tão saboroso,
      porque é branca a neve, tão linda.

    Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos eram amarelos. Arranjou uma amiga chamada Flor de Lótus, que, como todos os meninos amarelos, dizia:

      É bom ser amarelo
      porque é amarelo o Sol
      e amarelo o girassol
      mais a areia da praia

    O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos são pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador chamado Lumumba que, como os outros meninos pretos, dizia:

      É bom ser preto
      como a noite
      preto como as azeitonas
      preto como as estradas que nos levam para
      toda a parte.

    O menino branco entrou depois num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos.
    Escolheu para brincar aos índios um menino chamado Pena de Águia. E o menino vermelho dizia:

      É bom ser vermelho
      da cor das fogueiras
      da cor das cerejas
      e da cor do sangue bem encarnado.

    O menino branco foi correndo mundo até uma terra onde todos os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelo com um menino chamado Ali-Babá, que dizia:

      É bom ser castanho
      como a terra do chão
      os troncos das árvores
      é tão bom ser castanho como um chocolate.

    Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:

      É bom ser branco como o açúcar
      amarelo como o Sol
      preto como as estradas
      vermelho como as fogueiras
      castanho da cor do chocolate.

    Enquanto, na escola, os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.
    Luísa Ducla Soares

As Minhas Raízes


Numão
Vivi a minha infância e parte da adolescência numa linda aldeia junto ao rio Douro, Numão. O nosso Douro de paisagens multicolores, com pinceladas de verde, de amarelo, de vermelho, de castanho…, o Douro de uma beleza sem fim.
Cresci a correr entre as vinhas e penedos, saltando os valados, os socalcos e as fragas, a chapinhar nas águas límpidas, hoje algo poluídas, desse nosso Douro e da ribeira Teja (afluente do Douro), assim como sujar-me a comer as rubras e suculentas amoras, a subir e a descer às amendoeiras, às figueiras, às laranjeiras… e às monumentais muralhas do nosso antiquíssimo castelo.
Cresci e fiz-me mulher nesta pacata terra alto duriense.
Dela recordo, o branco da neve nos invernos rigorosos e a imensidão das amendoeiras floridas, as multicores das vinhas, a cor rubra e o sabor agro-doce das amoras, assim como os raspanetes que ouvia, da minha mãe, sempre que chegava a casa toda suja e magoada por ter subido às amoreiras. Delas recordo, também as peripécias vividas em liberdade, ora jogando à bola, ao pião ou à bilharda, ora escalando aos fraguedos ou trepando às muralhas do castelo, onde usando de uma imaginação prodigiosa e de acordo com a idade imaginei, juntamente com os amigos, aventuras fantásticas e assombrosas.

Encontrei no Youtube este vídeo, com lindíssimas imagens sobre a minha maravilhosa aldeia, que quero partilhar convosco. Parabéns e um agradecimento muito especial ao seu autor.