História & Estórias

Archive for Março, 2019

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Celebrar o Dia Mundial da Poesia!

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 06 de novembro de 1919, pelo que este ano se celebra o centenário do seu nascimento.

Foi uma das mais importantes poetisas portuguesas contemporâneas, sendo a primeira mulher portuguesa a receber, em 1999, o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões. Dos muitos outros prémios e honrarias, que ela recebeu saliento, ainda, o título Honoris Causa, em 1998, pela Universidade de Aveiro, o Prémio de Poesia Max Jacob (2001) e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana em 2003.

Em termos cívicos Sophia de Mello Breyner participou ativamente da oposição ao Estado Novo. Foi candidata pela oposição Democrática nas eleições legislativas de 1968. Apoiou a candidatura do general Humberto Delgado e fez parte dos movimentos católicos contra o antigo regime, tendo sido uma das subscritoras da “Carta dos 101 Católicos” contra a guerra colonial e o apoio da Igreja Católica à política de Salazar. Foi sócia fundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. Após a Revolução de abril de 1974 foi candidata à Assembleia Constituinte pelo Partido Socialista em 1975. Apoiou, também, publicamente a independência de Timor-Leste, consagrada em 2002.

Sophia de Mello Breyner Andresen faleceu em Lisboa, no dia 2 de julho de 2004. Desde 2005 que os seus poemas estão em exposição permanente no Oceanário de Lisboa.

O poema

O poema me levará no tempo
Quando eu não for a habitação do tempo
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento
O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento
No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética, “Livro Sexto”

QUANDO EU ERA CRIANÇA…

Quando eu era criança

Tudo era diversão!

Com pés nus de emoção

A bola na rua jogava,

Dança de roda bailava,

A macaca eu galgava

E à corda eu saltava!

Tenho na minha lembrança

As conversas e a esperança

Dos dominicais bailaricos

E dos juvenis namoriscos!

De todas as brincadeiras

Dos lugares, das amizades

Falsas ou verdadeiras

E das muitas liberdades

Guardo grata recordação!

Na infância com sol e muita folia

Todo o problema desaparecia!

Oh, dor louca, esta saudade!

Fernand@maro

HÁ MUITAS E MUITAS MARIAS

Há muitas e muitas Marias

Muitas e muitas mais

Mulher guerreira,

Princesa herdeira

MARIA MULHER, és demais!

Há muitas e muitas Marias

Maria sofrida

Mulher bonita

Maria esquecida

MULHER exemplo de vida!

Há muitas e muitas Marias

Maria mulher,

Mulher mãe,

Mulher filha

Há muitas e muitas mais!

Artistas, vais inspirar

Mulher Maria, mulher heroína

És um exemplo a abraçar

Maria, tu és divina

MARIA, tu és MULHER!

Há muitas e muitas Marias

Há muitas e muitas mais!

Fernand@maro

MULHER DE EGER

O forte está a ceder

A guarnição a recuar

É necessário lutar

 E Eger defender.

Eger ao desafio resistia

A conquista é travada

Com destemida valentia

A vitória é coroada.

A vitória é alcançada

Com as mulheres a lutar

A água é atirada

Para os turcos queimar

Artistas, vais inspirar

Mulher de Eger, heroína

És um exemplo a abraçar

És MULHER, és divina!

Fernand@maro

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