História & Estórias

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Aconteceu – 1 de Maio de 1886

No dia 1 de Maio de 1886, 500 mil trabalhadores manifestaram-se pacificamente ruas de Chicago, nos Estados Unidos, exigindo a redução do horário de trabalho para oito horas. A polícia, após ferir e matar dezenas de operários conseguiu acabar com a manifestação.

1 de maio de 1886, em Chicago

Mas os trabalhadores não desistiram, pelo que no dia 5 de Maio de 1886 voltaram às ruas e foram novamente reprimidos: 8 líderes foram presos, 4 trabalhadores executados e 3 foram condenados a prisão perpétua.
A luta continuou e a solidariedade internacional pressionou o governo americano a anular o falso julgamento. Um novo júri inocentou os trabalhadores, que ordenou a libertação dos 3 presos.
Em 1889 o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, decretou o 1º de Maio, como o Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de luto e de luta.

Pelo exposto na Europa o “Dia do Trabalhador” comemora-se sempre no dia 1 de Maio.

Em Portugal o “Dia do Trabalhador” só passou a comemorar-se, após a Revolução de 25 de Abril de 1974, a 1 de maio de 1974.

1 de maio de 1974, em Portugal
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CARTA SOBRE A DESCOBERTA DO BRASIL

A 1 de maio de 1500, Pêro Vaz de Caminha, escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral, escreveu de Porto Seguro ao rei D. Manuel I, comunicando-lhe a descoberta do Brasil. A armada chegou a Terras de Vera Cruz, assim foram batizadas aquelas terras, mais tarde chamadas de Brasil, a 22 de abril de 1500.

Desde 2005 este documento faz parte do Programa Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Este documento é de extrema importância para a História e cultura portuguesas e mundiais, visto tratar-se uma verdadeira carta-narrativa, onde se descreve a geografia, a fauna, a flora do Brasil, aspetos etnográficos dos nativos (a aparência, a psicologia… dos Índios), bem como as  experiências de contacto entre os dois povos e culturas e as reações mútuas.

Carta de Pêro Vaz de Caminha a D. Manuel I

Sem dúvida que, a Carta do Achamento do Brasil é um documento essencial para a compreensão do Renascimento português e da História do mundial.

Carta do Achamento do Brasil.

“Senhor,
posto que o capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães, escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei também de dar minha conta disso a Vossa Alteza (…)
(…) do que hei de falar começo e digo: a partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de março. Sábado, 14 do dito mês, entre as oito e as nove horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grã-Canária, onde andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas (…)
E assim seguimos nosso caminho por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram vinte e um dias de abril (…) topámos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topámos aves a que chamam fura-buxos. Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra!
Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome, o Monte Pascoal, e à terra, a Terra de Vera Cruz (…)
Pela manhã fizemos vela e seguimos direitos à terra (…) avistámos homens que andavam pela praia.
Afonso Lopes (…) meteu-se logo no batel e tomou dois deles.
Um deles trazia um arco e seis ou sete flechas (…) Trouxe-os logo ao capitão em cuja nau foram recebidos com muito prazer e festim. A feição deles é serem pardos (…) avermelhados, de bons rostos e bons narizes (…) Andam nus (…) os seus cabelos são corredios (…) e um deles trazia uma espécie de cabeleira de penas de ave (…)
O capitão (…) estava com um colar de oiro ao pescoço. Um deles pôs o olho no colar do capitão e começou de acenar com a mão para terra e depois para o colar como que nos dizendo que ali havia ouro. Também olhou para o castiçal de prata e assim mesmo acenava para terra (…) Mostraram-lhes um papagaio; tomaram-no logo na mão e acenaram para terra (…) Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela (…)
Estavam na praia (…) obra de 60 (…) Vieram logo para nós sem se esquivarem (…) Pareceu-me gente de tal inocência que se homem os entendesse e eles a nós seriam logo cristãos (…)”

Carta de Pero Vaz de Caminha (adaptação)

Fonte: Descoberta do Brasil (1500). In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 

Desembarque dos portugueses no Brasil

ACONTECEU… a 02 e a 03 de fevereiro

A 02 de fevereiro de 1387, casa-se, na cidade do Porto, D. João I com D. Filipa de Lencastre, na sequência do Tratado de Windsor, celebrado com a Inglaterra. Desta união nascerá a “Ínclita Geração” – D. Duarte, Infante D. Pedro, Infante D. Henrique, D. Isabel e Infante D. Fernando (Infante Santo).

Casamento de D. João I e D. Filipa de Lencastre na Sé da cidade do Porto.

Foi o primeiro rei da segunda dinastia e ficou conhecido pelo cognome “de Boa Memória”.

João I, “O da Boa Memória”

Pai da “Enclítica Geração”

Garantiu-nos a independência

Agradecemos a sua dedicação!

Filho ilegítimo de D. Pedro I e de Teresa Lourenço, nasceu em 1357, em Lisboa.

 Foi eleito rei nas Cortes de Coimbra, após uma crise política provocada pela morte de D. Fernando que tinha como única herdeira, D. Beatriz que era casa com D. João rei de Castela.

D. João I faleceu, em Lisboa, em 1433 e encontra-se sepultado no Mosteiro da Batalha, um belo exemplar da arte gótica, que mandou construir para cumprir uma promessa, pela vitória alcançada na batalha de Aljubarrota.

Fernand@maro

A 03 de Fevereiro de 1488, Bartolomeu Dias dobrou o Cabo das Tormentas, depois chamado da Boa Esperança.

Bartolomeu Dias terá nascido cerca de 1450 e morreu a 29 de Maio de 1500. 

O navegador português, ao serviço do rei D. João II, dobrou o Cabo das Tormentas, que foi rebatizado de Cabo da Boa Esperança numa clara alusão ao facto de se ter esperança de rapidamente alcançar a Índia.

Em finais de Agosto de 1487, Bartolomeu Dias partiu de Lisboa ao comando de três caravelas, destino ao sul África com o objetivo de encontrar a tão ansiada passagem marítima para a Índia.

A 3 de Fevereiro de 1488, passados quase 6 meses desde a partida de Lisboa, a expedição alcança o seu objetivo.

Bartolomeu Dias tinha um grande sonho: navegar até ao oriente através do caminho que ele próprio ajudara a abrir. Com o objetivo de cumprir esse sonho integrou a expedição de Pedro Álvares Cabral, que de forma propositada ou acidental, viria a descobrir as Terras de Vera Cruz, mais tarde chamadas de Brasil.

Depois dos primeiros contactos com os índios brasileiros, os portugueses rumam novamente para a Índia, o seu destino inicial.

Quando passavam o Cabo da Boa Esperança foram atingidos por uma tempestade de proporções gigantescas que destruiu e afundou 4 naus da armada portuguesa, entre elas a de Bartolomeu Dias. Ironia do destino, o navegador encontra a morte no mesmo local que anos antes o tinha levado à glória.

Fernand@maro

A RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA

Aconteceu há 378 anos…

O PRINCÍPIO DO FIM

Quarenta dias antes da revolução do 25 de Abril de 1974, deu-se a tentativa das Caldas. Um fracassado golpe militar que contou somente com 170 homens da Infantaria 5 das Caldas da Rainha. Frustrados os objetivos, foram feitas prisões a nível militar.

O golpe das Caldas acabou por ser um ensaio militar na preparação das operações que conduziram à revolução do 25 de Abril de 1974, que instaurou a democracia no nosso país e recuperou as liberdades fundamentais do povo português.

O já falecido historiador e político António Medeiros Ferreira referiu que o 16 de Março esteve para o 25 de Abril como o 31 de Janeiro esteve para o 5 de Outubro, mas que a História por vezes é cruel e este foi injustamente esquecido.

16 março 1974

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