História & Estórias

Archive for the ‘Festas’ Category

ANO NOVO – RECOMEÇAR

RecomeçarDouro multicolor

Recomeça…. Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
                                                            Miguel Torga

“Jamais haverá ano novo,

se continuar a copiar os erros dos anos velhos.”

                                                                Luís de Camões
feliz-ano-novo-31

NOITE DE NATAL, de Sophia de Mello Breyner

Sou uma apaixonada pelas obras de Sophia de Mello Breyner.

Aqui vos deixo a belíssima estória “Noite de Natal”, na integra e em pdf.noitedenatalpresepiojpg2

conto_sophia_noite.de.natal_total

HISTÓRIA ANTIGA

HISTÓRIA ANTIGA

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.imagesCA5OPUQY

Feio bicho, de resto:

Uma cara de burro sem cabresto

E duas grandes tranças.

A gente olhava, reparava e via

Que naquela figura não havia

Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.

Porque um dia,

O malvado,

Só por ter o poder de quem é rei

Por não ter coração,

Sem mais nem menos,

Mandou matar quantos eram pequenos

Nas cidades e aldeias da nação.

Mas, por acaso ou milagre, aconteceu

Que, num burrinho pela areia fora,

Fugiu

Daquelas mãos de sangue um pequenito

Que o vivo sol da vida acarinhou;

E bastou

Esse palmo de sonho

Para encher este mundo de alegria;

Para crescer, ser Deus;

E meter no inferno o tal das tranças,

Só porque ele não gostava de crianças.

                                                                Miguel Torga Antologia Poética Coimbra, Ed. do Autor, 1981

A ORIGEM DA ÁRVORE DE NATAL EM PORTUGAL

imagesCAKW5HYRFoi D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II, que, no séc. XIX, introduziu, em Portugal, a tradição da Árvore de Natal e das coroas do advento.

Até meados do século XIX, a tradição do Natal, em Portugal, tinha como centro a figura do Presépio.

Em 1836, a Rainha D. Maria II casou-se com D. Fernando II, o Rei-Artista. D. Fernando, além de se dedicar à pintura e à música, foi mecenas restaurando de vários monumentos, alguns em mau estado, como o Mosteiro da Batalha, o Convento de Mafra, o Convento da Ordem de Cristo, em Tomar, o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa e patrocinou os estudos de vários portugueses em outros países, assim como falava e escrevia muito bem em português, algo difícil para a maioria dos alemães.

Do seu casamento com D. Maria II nasceram onze filhos, dois dos quais foram mais tarde reis, D. Pedro V e D. Luís I. Quatro morreram recém-nascidos e três (entre eles o rei D. Pedro V) morreram jovens, devido à febre tifóide.

D. Maria II  morreu no Palácio das Necessidades, a 15 de Novembro de 1853, em consequência de parto.

D. Fernando tinha passado a infância comemorando o Natal segundo a velha tradição germânica de decorar um pinheiro com velas, bolas e frutos. Por isso, quando começaram a nascer os seus filhos com D. Maria II D. Fernando decidiu animar o palácio com um Natal de tradições germânicas.

Segundo registos e gravuras do próprio rei, D. Fernando II, na Noite de Natal, vestia-se de S. Nicolau e distribuía presentes aos seus filhos numa festa genuinamente familiar.

1289814398m6bSFAMas a grande divulgação da Árvore de Natal deu-se no século XX, na década de 60, devido à revolução nos meios de informação e comunicação, como a televisão, altura em que, também, a figura do “Pai Natal” começou a “ganhar terreno” ao Menino Jesus – única verdadeira razão pela qual se celebra o Natal, pois Natal significa nascimento; neste caso, é a celebração do nascimento de Jesus Cristo.

2012 – UM LONGO CAMINHO A PERCORRER

“Não há uma estrada real para a felicidade, mas sim caminhos diferentes. Há quem seja feliz sem coisa nenhuma, enquanto outros são infelizes possuindo tudo.”
Luigi Pirandello

Sou um guardador de rebanhos,
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
Fernando Pessoa

Meninos de Todas as Cores e os Direitos da Criança

O Dia Mundial da Criança em Portugal é celebrado a 1 de Junho. A data é celebrada em vários países, contudo a data de comemoração difere de país para país.
As Nações Unidas aprovaram a 20 de Novembro de 1959 a Declaração dos Direitos da Criança. Estava-se num período pós 2ª Guerra Mundial, em 1945. Os países da Europa e Oriente , viviam uma grave crise económica e social. As populações destes países viviam muito mal, em especial as crianças. Muitas crianças ficaram órfãs, com muita fome, viviam em condições desumanas de sobrevivência, e muitas das que tinham ainda seus pais vivos foram obrigadas de ir trabalhar para contribuir para o sustento da família.
Foi quando em 1946, a ONU (Organização das Nações Unidas), procurou mudar esta situação, criou a UNICEF que é conhecida mundialmente pelo que faz pelas crianças em todo o mundo! Em 1950 a Federação Democrática Internacional das Mulheres, propos à ONU que se criasse um dia dedicado às crianças em todo o mundo. Este dia foi comemorado pela primeira vez em 1 de Junho de 1950. A ONU reconheceu desde então que qualquer criança, independentemente da raça, cor, sexo, o direito a:

    1. amor e compreensão;
    2. alimentação;
    3. cuidados médicos;
    4. educação ;
    5. protecção contra todas as formas de exploração;
    6. crescer num clima de Paz .

Clica aqui para veres um powerpoint sobre os Direitos da Criança Direitos_criança

Meninos de todas as cores

    Era uma vez um menino branco chamado Miguel, que vivia numa terra de meninos brancos e dizia:

      É bom ser branco
      porque é branco o açúcar, tão doce,
      porque é branco o leite, tão saboroso,
      porque é branca a neve, tão linda.

    Mas certo dia o menino partiu numa grande viagem e chegou a uma terra onde todos os meninos eram amarelos. Arranjou uma amiga chamada Flor de Lótus, que, como todos os meninos amarelos, dizia:

      É bom ser amarelo
      porque é amarelo o Sol
      e amarelo o girassol
      mais a areia da praia

    O menino branco meteu-se num barco para continuar a sua viagem e parou numa terra onde todos os meninos são pretos. Fez-se amigo de um pequeno caçador chamado Lumumba que, como os outros meninos pretos, dizia:

      É bom ser preto
      como a noite
      preto como as azeitonas
      preto como as estradas que nos levam para
      toda a parte.

    O menino branco entrou depois num avião, que só parou numa terra onde todos os meninos são vermelhos.
    Escolheu para brincar aos índios um menino chamado Pena de Águia. E o menino vermelho dizia:

      É bom ser vermelho
      da cor das fogueiras
      da cor das cerejas
      e da cor do sangue bem encarnado.

    O menino branco foi correndo mundo até uma terra onde todos os meninos são castanhos. Aí fazia corridas de camelo com um menino chamado Ali-Babá, que dizia:

      É bom ser castanho
      como a terra do chão
      os troncos das árvores
      é tão bom ser castanho como um chocolate.

    Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos, dizia:

      É bom ser branco como o açúcar
      amarelo como o Sol
      preto como as estradas
      vermelho como as fogueiras
      castanho da cor do chocolate.

    Enquanto, na escola, os meninos brancos pintavam em folhas brancas desenhos de meninos brancos, ele fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores.
    Luísa Ducla Soares

O COELHINHO QUE NÃO ERA DA PÁSCOA

A todos os amigos, sim, porque são amigos todos aqueles que me visitam, votos de uma santa e feliz PÁSCOA.

Clica para leres a história Coelho-que-não-era-da-Páscoa