História & Estórias

Archive for Outubro, 2011

Oh, querido Eça regressa!

Homens destes eram precisos para esta época…
Eça de Queirós escreveu em 1872:
“Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal”
Eça de Queiroz, “in As Farpas” (1872)
“Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio.A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (…) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.”
Eça de Queiroz, in ‘Distrito de Évora” (1867)
Portugal e a crise
“Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: – mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não – pelo menos o Estado não tem: – e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela política.De sorte que esta crise me parece a pior – e sem cura.”
Eça de Queirós, in “Correspondência” (1891)

Método infalível para dispersar manifestantes

Com as novas medidas de austeridade, este método será utilizado muito brevemente.

Estou indignada!

Estou indignada com o que está a acontecer ao meu país, estou indignada pela ausência de responsabilidade política dos diferentes governantes.
O governo deve ser responsabilizado pelos seus atos, tem a obrigação de explicar as suas decisões e as suas ações aos cidadãos. Deve ter como divisa a comprometimento, a honestidade, a integridade, a transparência. Deve guiar-se por normas de ética e códigos de conduta. Desta forma prova que se esforça por exercer corretamente as funções para que foi nomeado, que tudo faz para impedir a corrupção e assegurar que as autoridades públicas continuem conscientes e responsáveis das suas tarefas.
Governantes que deixaram o país à deriva, sem rumo à vista, políticos que têm exercido o poder de forma irresponsável e inconsequente, devem ser responsabilizados pelas promessas que fazem e pelas decisões que tomam no exercício das suas atividades, no desempenho de cargos públicos.

Deixo, aqui, duas citações:
“Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.”
Darcy Ribeiro
“A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.”
Aurélio Agostinho

Acordo Ortográfico. O que muda?


Com este material poder-se-ão fazer placares/cartazes e colocar na sala de aula, para ajuda de alunos e professores.

Espero que vos sejam uteis.