História & Estórias

Archive for the ‘Aldeia’ Category

LENDA DA FONTE DA MOURA ENCANTADA EM POESIA

Lenda da Fonte do Campelinho, em Numão

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A antiga aldeia de Numão
Que te convido a visitar
É um postal aprazível de inspiração!
O seu castelo majestoso e elevado
Leva-te numa viagem ao passado
Com reis e rainhas de maravilhar,unnamed
Com príncipes e princesas fantasiar
E lendas de mouras de encantar!
Conta a lenda que um homem havia,
Que por Filipe a gente o conhecia
Foi a Roma os papéis aviar
Para em Portugal poder casar.
Na cidade uma mulher encontrou
E três pães lhe deu e recomendou
P´ra as suas filhas poder entregar
Que de Zara, Cacina e Lira foram batizadas
E há muitos anos foram encantadas:
Cacina, na fonte de Santa Clara de Penedono, residia
Zara, na Fonte da Concelha de Longroiva, imergia
E Lira na Fonte do Campelinho, em Numão existia!
Como prémio p´las tarefas audaciosas
Recebeu um cinto com pedras preciosas.
Filipe de regresso a Portugal
Numa hospedagem ficou
A dona curiosa sem igual
Num pão pegou e encetou!
Um grito agudo ouviu,
O pão de sangue se alagou
Logo receosa no saco o pão o enfiou!
Em Penedono o pão deitou,
O nome de Cacina ele invocou,Cassima4
Surgiu na água e p´ro céu ela voou!
Após a Longroiva haver chegado
E o nome de Zara ter evocado
Apareceu e por encanto ela se libertou!
Em Numão feita a evocação
Lira chorosa e em comoção
Maldisse a sua sorte a infeliz
Por sempre ali ficar encantada
Por a estalageira ter metido o nariz
E sua perna direita ter sido cortada!
As pessoas antigas dizem escutar
Ela a encher as canelas do tear
E um cavaleiro por ali passar
Para com a moira encantada poder falar!
Para saberes se é verdade ou ficção
Vai à fonte do Campelinho em Numão
Verás uma ferradura na pedra como afirmação!

Fernand@maro

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A LENDA DAS AMENDOEIRAS EM FLOR EM POESIA

Como as histórias de encantar

Onde a tristeza é anulada pela alegria

O bem sobre o mal irá triunfar

E todos vivem em harmonia!

Assim começa lenda que vos vou contar:

Há muitos, muitos séculos atrásvector-almond-tree-flower-from-pomona-italiana-illustration

Havia, no Algarve, um rei Mouro audaz

Que da derrota não era sabedor

E em todas as lutas saiu vencedor!

Entre os cativos estava uma princesa

De olhos azuis, linda e sem defesa

Pela qual o rei se enamorou

E por fim com ela se casou!

Durante algum tempo foram felizes

Nos corações a chama do amor

Esteve brilhante e muito acesa!

Até que uma dia a tristeza

Cativou  e abateu a bela princesa!

O rei esposo amoroso e dedicado

Ficou muito, muito preocupado,

Pelo que há perguntado:

– Gilda, esposa minha querida,

Porque estais tão triste e tão ferida?

Ela respondeu em tom cauteloso:

– Meu querido e amado esposo,

São saudades da neve da minha terra

Da brancura e da beleza de cada serra!

Pensou muito o rei Ibn-Almundim,

A solução foi encontrada, por fim

E em todo o reino amendoeiras plantou!

Na primavera que de seguida chegou,

 O rei à janela do castelo Gilda levou,

Flores brancas das amendoeiras ela avistou.

Era a neve, ou seria ilusão

Que acalentou o seu coração

E Gilda melhorou na perfeição.

Abalou a tristeza que a afetava,

E em pouco tempo ficou curada.

Gilda viveu para sempre alegre e com paixão

Junto  do rei que muito a venerava!

Fernand@maro

LER É UM PRAZER!

     É uma manhã de domingo de inverno! O dia acordou solarengo. Vou aproveitar o sol, recarregar baterias e acumular energia para vencer a semana que se pressupõe ser agitada e trabalhosa. Pego num livro e sento-me na janela que se debruça sobre a paisagem, procurando usufruir de um dos meus prazeres.
     Ler é um prazer, não só para quem cresceu entre livros e conquistou a cada página lida, o gosto pela leitura, como também para aqueles que buscaram aventuras e encontraram essas máquinas do tempo nas casas de amigos e vizinhos ou mesmo nas estantes da Biblioteca Itinerante Calouste Gulbenkian que, visitava de quinze em quinze dias as aldeias do interior. Eu fui uma dessas curiosas e aventureiras que descobriram que cada livro guarda dentro mundos desconhecidos e atraentes, tempos com lugares mágicos e fantásticos com pessoas monstruosas e admiráveis. Eu sou uma dessas que se apercebeu que cada livro abriga outras memórias, outras formas de ser e de estar, de sentir, de comunicar, de rir…, pelo que persiste no ato da leitura.
     Ler é um prazer, não uma obrigação!

Fernand@maro

MEMÓRIAS DE VERÃO

Seja uma bebida ao pôr do sol, um passeio ao entardecer, um piquenique à beira rio ou uma viagem de sonho. O verão é tempo de férias, é tempo de descansar com sabor a praia e a campo, a alegria e descontração.

O verão da minha infância cheira a aldeia, a terra e a fruta. Era quando as férias duravam 3 meses e chegava mesmo a ter saudades da escola. Era o tempo das cigarras, das tarde e noites quentes, em que deitada na varanda observava o céu estrelado e imaginava-me a viajar pelo espaço infinito à procura de um príncipe encantado montado no seu cavalo alado da cor do arco íris ou ser aconchegada e embalada nos braços da estrela mais brilhante, a Estrela Polar.

Nasci e vivi a minha infância numa pacata, mas linda aldeia alto duriense. Para estudar tive que ir para a cidade e somente regressava à aldeia e à casa paterna no período das férias. Mas sem dúvida que as minhas férias preferidas eram as do verão. Era o tempo de rever os amigos, era o tempo dos bailaricos e das paixonetas, era o tempo dos fins de tarde abafados, já depois do banho tomado no tanque ou na fonte. Era irmos espreitar, o pôr do sol, na torre mais alta do castelo e avistar o serpentear da coluna de fumo do comboio que corria e apitava junto ao Douro. Era jogarmos à bola ou à bilharda, brincarmos às escondidas ou às apanhadas, era irmos até à ribeira Teja chapinarmos nas poças de água que ela ainda tinha ou então apanhar as amoras, rapinar as maçãs e as peras das árvores que por lá havia. No final do verão assaltávamos, também, os vinhedos à procura da uva moscatel ou do dedo de dama, que eram as mais apreciadas.

No meu caso, as férias grandes eram acima de tudo a grande oportunidade de ler. Adorava histórias de príncipes e princesas, fadas e bruxas, em que o bem triunfava sobre o mal e o amor saía sempre vencedor. Gostava também das  histórias de animais personificados, quase sempre começadas por: “Há muito, muito tempo, na época em que os animais falavam…” Nessa altura era utente assídua da Biblioteca Itinerante Calouste Gulbenkian, que nos visitava regularmente. Aos seus abalizados funcionários devo o gosto que ainda tenho pela leitura. Foram eles  que muito contribuíram para esta minha paixão pelos livros, pelas letras. Recordo que simpaticamente me aconselhavam os livros adequados à minha idade e me deixavam trazer mais dos que os permitidos.

As férias na praia só as tive na idade adulta, quando fui para a faculdade. Hoje são as minhas preferidas! Adoro passear à beira mar, chapinhar na água, pontapear as ondas e saborear e cheirar a brisa marinha! Apraz-me observar o sol espraiar-se no mar e criar um resplandecente por do sol  em tons de laranja e amarelo! Gosto de apreciar a beleza do verde e do azul  do mar  e sonhar com as terras distantes e os lugares recheados de magia que são banhadas por aquelas águas imensas! Como gostaria de viajar na crista das ondas e ser transportada para essas aventuras fantásticas e encantatórias!

Como gostaria de regressar aos verões da minha infância, em que tudo era simples e muito feliz, mas eu não o sabia!

Fernand@maro

MINHA TERRA É TUDO O QUE EU QUISER!

  Clica aqui para veres um vídeo  

Minha aldeia é pequenina
Pequenina na dimensão
Enorme nas suas gentes
Gentes doces de coração!
 
Minha terra é pequenina
Grandiosa no seu passado
Da pré-história aos romanos
Dos mouros ao tempo chegado!
 
Há inúmeros materiais
Dos recolectores caçadores
Machados de anfibolite
E outros e muito mais!
 
Moedas, pesos de tear
Colunas, inscrições graníticas
Lagaretas e lagares
Dispersos por vários lugares.
 
Legado pelos Romanos deixado
Palco pelos Mouros ocupado
De importância militar
Para Portugal brotar!
 
Forais veio a alcançar
Importante na administração
Nem sempre a melhor opção
Por D. Beatriz apoiar!
 
Minha terra é colossal
Grande como outra qualquer
Majestosa e monumental
É tudo o que eu quiser!
 
  Fernand@maro 

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA – CHEIROS E SABORES DE NATAL

Porque há memórias, receitas, cheiros e sabores que aquecem a alma, que nos alimentam o espírito, hoje, 21 de dezembro, recordo com saudade os aromas e os sabores aconchegantes dos natais da minha meninice. Estes eram únicos, bem como toda a euforia e entusiasmo que irradiava desta quadra festiva!

Tudo começava com a recolha de pequeno e finos toros de madeira que iriam, depois de acesos, fazer ferver o azeite, numa sertã/frigideira de três pernas, que fritariam as tão deliciosas de bolas de natal, também conhecidas por filhós.

Eu segurava no alguidar, e com a força que parecia não ter, a minha mãe com a massa até ao cotovelo amassava e voltava a amassar, batia e socava a massa uma e outra vez. Quando esta se soltava bem das mãos estava pronta para levedar. Depois de polvilhada com farinha, era coberta com um pano branco e colocada junto da lareira para que crescesse bem e rapidamente.

Sentada num pequeno banco de madeira, com um pano branco nos joelhos, a minha mãe fazia bolinhas de massa que, depois de molhadas em azeite numa pequena tigela junto à lareira, tendia sobre o joelho fazendo a bola/a filhó e colocava-a no azeite. Eu gostava delas finas, quase transparentes! Eu, ao seu lado, com um garfo grande, virava, com cuidado e carinho, cada filhó. Depois de bem douradas e bem escorridas eram polvilhadas com açúcar e canela, guardas num tabuleiro ou num cesto e cobertas com uma toalha branca.

Adorava-as e adoro-as quentinhas, acabadas de fazer! Estas eram comidas não só na noite de consoada, no dia de Natal, mas também ao longo da semana até ao Ano Novo.

Para que a tradição natalícia fosse cumprida na noite de consoada comia-se o bacalhau cozido, o arroz de polvo e as migas /açorda de bacalhau e couve penca. Na sobremesa não podia faltar as filhós, o arroz doce e as rabanadas e salpicadas com canela.

Ainda, na noite de 24 de dezembro, enquanto alguns jovens andavam de porta em porta a cantar “As Boas Festas”, outros cavaqueavam e aqueciam-se junto do gigantesco cepo / madeiro que ardia no largo da igreja. Este era ateado no entardecer da véspera de Natal e ardia até ao Dia dos Reis. Nos dias anteriores os rapazes da aldeia iam roubar grandes troncos e raízes de árvores que depositavam no adro da igreja. Hoje pessoas de todas as idades continuam a juntar-se e a conviver em redor do cepo / da fogueira, aproveitando o lume do braseiro para assar e saborear frangos e febras de porco.

Ao deitar e antes da meia-noite, colocava o meu sapato na chaminé da lareira, na esperança que o Menino Jesus lá deixasse uma prendinha. Ele nunca deu com a minha casa, a prenda nunca apareceu mas, no dia de Natal, eu podia exibir-me e com vaidade com uma roupa nova.

Não posso esquecer e deixar de referir o presépio e a Árvore de Natal, que eram construídos juntos para que o pinheiro protegesse a gruta do Menino Jesus. Era também uma grande azáfama! Após cortarmos o pinheiro, arranjarmos o musgo, fazíamos a Árvore de Natal, enfeitando-a com bolinhas e fitas brilhantes. Por baixo montávamos o presépio com montes e vales, rebanhos e pastores e uma gruta que albergava o Menino Jesus, Nossa Senhora, S. José e o burrinho e vaquinha. Claro que não podia faltar a Estrela de Belém e os três Reis Magos!

Sou fã e colecionadora de presépios, tenho muitos (cerca de oitenta) e já fiz muitos, mas nunca consegui fazer um tão bonito como aqueles que recordo da minha infância!

Fernand@maro

MINHA TERRA TEM BELEZA

Minha terra tem beleza

Na elegância da florIMG_20170815_075152

No sorriso da criança

Que eu afago com amor

 

É formosa a minha terra

Na ternura do olhar

De rostos arados de rugas

Em vidas marcadas de dorIMG_20170815_082328

 

Como és bela e encantada

Pura, singela, luminosa

Terra minha, abençoada

De gente maravilhosa!

 

Com passado de nobrezaIMG_20170815_171433

Que não deixas esquecer

És altiva por natureza

Honra insistes em ter!

 

És a princesa favorita

Do castelo altaneiro

Te protege e dá guarida

Ou não fosse cavalheiro!

Fernand@maro

 

 

 

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