História & Estórias

Posts tagged ‘Memórias’

Qual a maior conquista de Abril?!…

De acordo com João André Costa, professor há 11 anos em Inglaterra, a maior conquista obtida com a revolução de Abril foi a EDUCAÇÃO.

Educar é crescer, crescer é viver e pós 25 de Abril crescemos como pessoas, crescemos como país.

No tempo do Estado Novo a educação no seu sentido mais lato, como modo continuado de desenvolvimento das capacidades físicas, intelectuais e morais do ser humano, era somente adquirido por um grupo reduzido de pessoas, uma vez que a escolaridade, além da 4ª classe, era um privilégio exclusivo para as pessoas com possibilidades económicas.

A revolução de Abril permitiu a todos os cidadãos o acesso à escolaridade. Ao longo deste 45 anos fizeram-se grandes progressos na educação, no ensino, na escola, mas também houve iguais retrocessos com insistentes ataques aos professores e à escola pública, com o crescente descrédito e desrespeito da classe docente cada vez mais envelhecida.

Mas não vamos desistir, pelo que  cito João André Costa: “Sem educação não há liberdade. Sem educação não há resistência. Sem educação não há Abril, só esquecimento e um povo embrutecido entre a praia, futebol e centros comerciais.

Por isso continuamos a lutar e a repetir, ano após ano, antes do 25 de Abril, durante o 25 de Abril e depois do 25 de Abril, viva a liberdade, 25 de Abril sempre!”

Anúncios

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA – CHEIROS E SABORES DE NATAL

Porque há memórias, receitas, cheiros e sabores que aquecem a alma, que nos alimentam o espírito, hoje, 21 de dezembro, recordo com saudade os aromas e os sabores aconchegantes dos natais da minha meninice. Estes eram únicos, bem como toda a euforia e entusiasmo que irradiava desta quadra festiva!

Tudo começava com a recolha de pequeno e finos toros de madeira que iriam, depois de acesos, fazer ferver o azeite, numa sertã/frigideira de três pernas, que fritariam as tão deliciosas de bolas de natal, também conhecidas por filhós.

Eu segurava no alguidar, e com a força que parecia não ter, a minha mãe com a massa até ao cotovelo amassava e voltava a amassar, batia e socava a massa uma e outra vez. Quando esta se soltava bem das mãos estava pronta para levedar. Depois de polvilhada com farinha, era coberta com um pano branco e colocada junto da lareira para que crescesse bem e rapidamente.

Sentada num pequeno banco de madeira, com um pano branco nos joelhos, a minha mãe fazia bolinhas de massa que, depois de molhadas em azeite numa pequena tigela junto à lareira, tendia sobre o joelho fazendo a bola/a filhó e colocava-a no azeite. Eu gostava delas finas, quase transparentes! Eu, ao seu lado, com um garfo grande, virava, com cuidado e carinho, cada filhó. Depois de bem douradas e bem escorridas eram polvilhadas com açúcar e canela, guardas num tabuleiro ou num cesto e cobertas com uma toalha branca.

Adorava-as e adoro-as quentinhas, acabadas de fazer! Estas eram comidas não só na noite de consoada, no dia de Natal, mas também ao longo da semana até ao Ano Novo.

Para que a tradição natalícia fosse cumprida na noite de consoada comia-se o bacalhau cozido, o arroz de polvo e as migas /açorda de bacalhau e couve penca. Na sobremesa não podia faltar as filhós, o arroz doce e as rabanadas e salpicadas com canela.

Ainda, na noite de 24 de dezembro, enquanto alguns jovens andavam de porta em porta a cantar “As Boas Festas”, outros cavaqueavam e aqueciam-se junto do gigantesco cepo / madeiro que ardia no largo da igreja. Este era ateado no entardecer da véspera de Natal e ardia até ao Dia dos Reis. Nos dias anteriores os rapazes da aldeia iam roubar grandes troncos e raízes de árvores que depositavam no adro da igreja. Hoje pessoas de todas as idades continuam a juntar-se e a conviver em redor do cepo / da fogueira, aproveitando o lume do braseiro para assar e saborear frangos e febras de porco.

Ao deitar e antes da meia-noite, colocava o meu sapato na chaminé da lareira, na esperança que o Menino Jesus lá deixasse uma prendinha. Ele nunca deu com a minha casa, a prenda nunca apareceu mas, no dia de Natal, eu podia exibir-me e com vaidade com uma roupa nova.

Não posso esquecer e deixar de referir o presépio e a Árvore de Natal, que eram construídos juntos para que o pinheiro protegesse a gruta do Menino Jesus. Era também uma grande azáfama! Após cortarmos o pinheiro, arranjarmos o musgo, fazíamos a Árvore de Natal, enfeitando-a com bolinhas e fitas brilhantes. Por baixo montávamos o presépio com montes e vales, rebanhos e pastores e uma gruta que albergava o Menino Jesus, Nossa Senhora, S. José e o burrinho e vaquinha. Claro que não podia faltar a Estrela de Belém e os três Reis Magos!

Sou fã e colecionadora de presépios, tenho muitos (cerca de oitenta) e já fiz muitos, mas nunca consegui fazer um tão bonito como aqueles que recordo da minha infância!

Fernand@maro

A COMEMORAR TAMBÉM SE APRENDE!

HOJE, 2 DE DEZEMBRO, É DIA INTERNACIONAL DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA!

Em 2004 a Organização das Nações Unidas (ONU) criou o dia 2 de dezembro dia Dia-Internacional-para-a-Abolicao-da-EscravaturaInternacional da Abolição da Escravatura, no sentido de se fazer uma atenta e acérrima reflexão, discussão e combate contra esta dura realidade.

A data lembra a assinatura da Convenção das Nações Unidas para a Supressão do Tráfico de Pessoas e da Exploração da Prostituição de Outrem, a 2 de dezembro de 1949.

Estima-se que existam cerca de 21 milhões de vítimas de escravidão espalhadas pelo mundo: trabalho forçado, tráfico de crianças e mulheres, prostituição, casamentos combinados, escravatura doméstica, trabalho infantil….

Portugal foi dos primeiros países a abolir a escravatura. Em 1761, no reinado de D. José I, em Portugal Continental (Metrópole) e na Índia a escravatura foi abolida pelo Marquês de Pombal.

Só no séc. XIX, no reinado de D. Luís, com a lei de 25 de fevereiro de 1869, foi proclamada a abolição da escravatura em todo o Império Português.

“Fica abolido o estado de escravidão em todos os territórios da monarquia portuguesa, desde o dia da publicação do presente decreto.

Todos os indivíduos dos dois sexos, sem excepção alguma, que no mencionado dia se acharem na condição de escravos, passarão à de libertos e gozarão de todos os direitos e ficarão sujeitos a todos o deveres concedidos e impostos aos libertos pelo decreto de 19 de Dezembro de 1854.”

Luís, Diário do Governo, 27 de Fevereiro de 1869dia-mundial-abolicao-escravatura-2017

É VIVER O MOMENTO!

Sorri,

Mesmo que a ocasião

Não seja de alegria!

Vive o instante,

Liberta o coração

E mostra o sentimento!

Abraça o momento

Age como o vento

E como brisa macia

Acaricia com alegria!

Escuta e deixa-te entrar

E permite-te tocar

Nos teus braços embalar

E em ti me enroscar

Se for vital recomeçar

Permite a ocasião

Do dia a dia renovar

E viver com o coração

É chegado o momento

De receber o saber

De quem é essencial

E quem nunca o irá ser

É viver o momento

Como se o último

Viesse a ser!

Fernand@maro

1_ziKTRNE3IQz7OOYGPhZ0jw

MINHA TERRA TEM BELEZA

Minha terra tem beleza

Na elegância da florIMG_20170815_075152

No sorriso da criança

Que eu afago com amor

 

É formosa a minha terra

Na ternura do olhar

De rostos arados de rugas

Em vidas marcadas de dorIMG_20170815_082328

 

Como és bela e encantada

Pura, singela, luminosa

Terra minha, abençoada

De gente maravilhosa!

 

Com passado de nobrezaIMG_20170815_171433

Que não deixas esquecer

És altiva por natureza

Honra insistes em ter!

 

És a princesa favorita

Do castelo altaneiro

Te protege e dá guarida

Ou não fosse cavalheiro!

Fernand@maro

 

 

 

AMOR VERDADEIRO

Diapositivo4Amor Verdadeiro

“O rio passa ao lado de uma árvore, cumprimenta-a, alimenta-a, dá-lhe água… e vai em frente, dançando. Ele não se prende à árvore.

A árvore deixa cair suas flores sobre o rio em profunda gratidão, e o rio segue em frente. O vento chega, dança ao redor da árvore e segue em frente. E a árvore empresta o seu perfume ao vento…

Se a humanidade crescesse, amadurecesse, essa seria a maneira de amar.” (Osho)

 

DA MINHA ALDEIA VEJO…

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejoaa da minha aldeia
E não do tamanho da minha altura…

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Alberto Caeiro“O Guardador de Rebanhos”

(Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa)

caeiro1-e1533490726399.jpg

Nuvem de etiquetas