História & Estórias

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Liberdade

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Liberdade     CLICA AQUI

Ai que prazer
Não cumprir um dever,

Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doura sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa.

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

Fernando Pessoa

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ABRIL

ABRIL

Havia uma lua de prata e sangueE_preciso_salvar_Abril_Henrique_Matos

em cada mão.

Era Abril.

Havia um vento

que empurrava o nosso olhar

e um momento de água clara a escorrer

pelo rosto das mães cansadas.

Era Abril

que descia aos tropeções

pelas ladeiras da cidade.

Abril

tingindo de perfume os hospitais

e colando um verso branco em cada farda.

Era Abril

o mês imprescindível que trazia

um sonho de bagos de romã

e o ar

a saber a framboesas.

Abril

um mês de flores concretas

colocadas na espoleta do desejo

flores pesadas de seiva e cânticos azuis

um mês de flores

um mês.

Havia barcos a voltar

de parte nenhuma

em Abril

e homens que escavavam a terra

em busca da vertical.

Ardiam as palavras

Nesse mês

e foram vistos

dicionários a voar

e mulheres que se despiam abraçando

a pele das oliveiras.

Era Abril que veio e que partiu.

Abril

a deixar sementes prateadas

germinando longamente

no olhar dos meninos por haver.

                                                                                   José Fanha

CAMALEÕES OPORTUNISTAS

Oportunismocamaleao1

O camaleão
tem a cor da ocasião.
Usa-se muito em política
é prática muito vista
– a situação pode mudar
ele não
é sempre situacionista

Carlos Pinhão, Bichos de Abril

À semelhança do camaleão, o político também muda, não de cor, mas de promessas. O prometido hoje não o será amanhã. Se o camaleão caça as suas presas recorrendo à sua língua comprida, o político apanha as suas presas utilizando uma linguagem repleta de vocábulos esperançosos que parecem ter muito sentido, mas que na prática pouco resultam. Ambos têm a capacidade de se adaptarem com muita e hábil facilidade às adversidades do momento e de usarem a língua para caçar as presas.

Origem da Palavra MINISTRO

O texto seguinte foi-me enviado por um amigo, como o achei interessante decidi partilhá-lo!103

“LATIM, Língua maravilhosa!
O vocábulo “maestro” vem do latim “magister” e este, por sua vez, do advérbio “magis” que significa “mais” ou “mais que”.
Na antiga Roma o “magister” era o que estava acima dos restantes, pelos seus conhecimentos e habilitações! “Magister dixit” era a máxima utilizada para não se duvidar da palavra dada, por um professor.
Um “Magister equitum” era um Chefe de cavalaria, e um “Magister Militum” era um Chefe Militar.
Já o vocábulo “ministro” vem do latim “minister” e este, por sua vez, do advérbio “minus” que significa “menos” ou “menos que”.
Na antiga Roma o “minister” era o servente ou o subordinado que apenas tinha habilidades ou era jeitoso.

* COMO SE VÊ, O LATIM EXPLICA A RAZÃO POR QUE QUALQUER UM PODE SER MINISTRO… MAS NÃO Mestre ou Maestro!”

Desistir? NÃO!

sem nome “É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.
Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver.”
Martin Luther King

A educação no séc. XXI

A educação engloba os processos de ensinar e de aprender. Segundo Paulo Freire“A educação tem caráter permanente. Não há seres educados e não educados, estamos todos nos educando.” A educação de um indivíduo é uma construção contínua resultante de situações presenciadas e experiências vividas por si. Deve ser feita no sentido de levar o homem a refletir sobre seu papel no mundo e qual o seu  contributo para esse mundo. Atendendo ao progresso científico e tecnológico, à globalização e à transformação nos processos de produção, resultante da busca de uma maior competitividade, fazem com que os saberes e as competências adquiridas fiquem ultrapassados e exijam o desenvolvimento da formação profissional permanente. De acordo com Janoí Mendes “O professor só pode ensinar quando está disposto a aprender”, pelo que este profissional da educação deve aprender a aprender, estar em constante aprendizagem, atualizando-se…  Ser professor é ser um eterno aprendiz.

Educar no séc. XXI é um grande desafio para todos os agentes da educação (pais, encarregados de educação, professores…), visto que têm que estimular jovens, que vivem na era digital, para a aprendizagem. Como um dos principais agentes da educação, o professor tem necessidade de estar em permanente atualização/formação de forma a adquirir ferramentas que lhe proporcionem lecionar aulas atrativas e dinâmicas que vão ao encontro do interesse dos alunos.

Apesar das reformas encetadas no período pós 25 de abril de 1974 como: democratização e liberdade de ensino, criação da Lei de Bases do Sistema Educativo (1986), a reforma de Roberto Carneiro (1987-1991) e a reforma de Marçal Grilo (1995-1999), no início do séc. XXI metade da população portuguesa não possui o ensino básico, o abandono escolar continua elevado sendo de 44% em 2000 e 29% em 2011 e somente 1/3 da população possui o ensino secundário. Estes dados colocam-nos abaixo das mádias europeias e Portugal figura entre os países menos qualificados da União Europeia.

Nesse sentido é urgente inverter esta situação tomando medidas no sentido de combater o analfabetismo e a literacia, conter o abandono escolar, promover uma educação/formação ao longo da vida e promover a criatividade, a inovação e o empreendedorismo.

Vivemos num período de elevados índices de desemprego e de emprego precário, em que a taxa de emigração (brain-drain) está a subir com a saída de jovens licenciados a procurarem emprego em países estrangeiros.

Perante o exposto é necessário apostar numa escola de qualidade que contribua para a construção de cidadãos responsáveis, autónomos, ativos e críticos. Para isso é necessário criarem-se mecanismos /legislação que dignifiquem escola e o papel do professor e responsabilizem os pais/ encarregados de educação por um correto percurso escolar dos seus educandos. Espera-se que o Estatuto do Aluno, saído há pouco tempo, consiga repor parte da autoridade às escolas e aos professores. É também importante que o professor tenha um papel ativo, que promova estratégias de trabalho inovadoras, atividades diversificadas e materiais apelativos para as suas aulas, de forma a suscitar o interesse e motivar a participação dos alunos, facilitar a sua aprendizagem e alargar o campo dos seus conhecimentos, assim como deve ensinar os alunos a pensar, a questionar e a aprender a ler a realidade, para que possam construir opiniões próprias.

Finalizo com uma frase de Esopo “Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar.”

Oh, querido Eça regressa!

Homens destes eram precisos para esta época…
Eça de Queirós escreveu em 1872:
“Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal”
Eça de Queiroz, “in As Farpas” (1872)
“Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio.A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (…) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.”
Eça de Queiroz, in ‘Distrito de Évora” (1867)
Portugal e a crise
“Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: – mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não – pelo menos o Estado não tem: – e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela política.De sorte que esta crise me parece a pior – e sem cura.”
Eça de Queirós, in “Correspondência” (1891)