História & Estórias

Archive for Março, 2018

Da Minha Janela Eu Vejo…

Profactiva's Blog

sun-settingEstou só e triste!
Sinto-me desiludida, incompreendida e incapaz de acreditar e de sonhar!
Estou decepcionada com aqueles que muito estimo!
Sinto as minhas asas dilaceradas, incapazes de me levarem ao mundo dos sonhos, da fantasia, da imaginação, onde tudo é belo, onde existe a paz, a alegria, a compreensão… Contudo, ainda, acredito que “Sobre as asas do tempo, a tristeza vai-se embora” (La Fontaine). Sim, o tempo pode não apagar a dor, mas ameniza-a.
Estou no meu quarto triste e só. Só com as minhas mágoas, só com as minhas angústias, sozinha com as minhas decepções.
Estou no meu quarto, olho à volta. O meu olhar converge para minha janela.
Da minha janela eu vejo o terraço e o jardim, onde a leve brisa dança com o sol seguindo o andamento dos pardais, pintassilgos e andorinhas que tocam uma afinada melodia de alegria neste radioso e lindo dia.
Da…

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Da Minha Janela Eu Vejo…

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janelaDa minha janela eu vejo o manto estrelado da noite a aconchegar a minha rua. Sinto um cheiro no ar, com aromas de tília, de lavanda, de rosmaninho e de eucalipto.
Da minha janela eu vejo o luar a banhar de prata todo o horizonte e a reflectir-se, como se um espelho fosse, nas águas do Leça, que se espraia, lá ao longe, numa preguiça sazonal sem pressa de chegar ao mar.
Da minha janela eu vejo a minha rua calma e silenciosa. As pessoas recolheram-se ao aconchego do lar. Nada se ouve! O silêncio espalha-se por todo o lado, só quebrado, de quando em quando, por tímidos miaus e o pelo alegre ladrar dos cães a cumprimentarem quem passa.
Mas minha rua não é sempre assim. Quando acorda e os candeeiros adormecem, o relógio da igreja desperta parecendo dizer a quem passa “Como linda está a manhã!” Então as…

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Da Minha Janela Eu Vejo…

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DouroÉ manhã e o dia acordou alegre e calmo, só perturbado pelo harmonioso bailado da ramagem dos choupos e plátanos a dançarem uma valsa austríaca. É uma manhã estival e o sol gargalhando espreguiça os seus raios beijando tudo à sua volta.
Da minha janela eu vejo um rio, o chamado rio Douro. O rio Douro chama-se assim devido ao sol, que quando se reflecte nele, o rio parece banhado d’ouro. É Douro, porque transforma em ouro os campos e as culturas das suas margens, que dão suculentos e aprazíveis frutos e o famosíssimo Vinho do Porto, o ex-líbris de Portugal no Mundo.
Que sublime postal é o Douro com os seus socalcos pintados de vermelho, amarelo, laranja e castanho, quando o Outono nos visita e as vinhas começam a despir-se dos tons verdes que as aconchegaram, enquanto os homens gota a gota esgotaram o seu suor, para que as…

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É REAL, É VERDADE!

Mesmo sem ser chamada,

Envolta em névoa de luz,

Linda, esbelta, enfeitada,

Ela sorridente chegou!

 

Seus raios me enlaçam,

Sua beleza me inebria,

Seus aromas me atordoam,

Sua cor me extasia!

 

Será quimera,

Ilusão, utopia

Verdade ou fantasia?

 

Se a criança sorrir,

E o amor a natureza colorir,

É real, é verdade,

A Primavera chegou em liberdade!

 

UM SONHO BELO! – CONTO DO VERDE E DO AZUL

“Era uma vez ”, é como começam a maioria das estórias mas, a minha não começa assim, não! A minha estória é muito diferente!

Isto é no início de tudo, antes de tudo que se possa imaginar. Antes dos dragões e dos dinossauros, antes dos vulcões e até mesmo da terra. O universo era um espaço para descobrir e, os planetas eram porções de massa envolvidas em neblina, mistérios e receios.

Vou contar-vos a estória de dois planetas maravilhosos e, ao mesmo tempo muito diferentes. Esta é a história de Neptuza e Septuza.

dde5f03bafc58df6c1554ccc850544ebNeptuza era o planeta da água. Nele habitavam, não só as mais lendárias e temidas criaturas, como também as falaciosas sereias e tritões e ainda os animais e as plantas aquáticas que hoje partilham os nossos mares e nossos rios. Lá, não se vivenciava a adversidade e os seus habitantes viviam com grande satisfação. O azul de Neptuza era tal e qual a do céu e por vezes não se sabia onde começava um e acabava outro. As algas verdes tinham um movimento baloiçante que pareciam dançar à luz dos corais multicolores. Havia muitos melodiosos e agradáveis sons, mas nenhum ruído era tão agradável como aquele que muitas vezes irrompia o silêncio e o sossego daquelas paragens, o maravilhoso riso das crianças que, ali e acolá, se divertiam com os seus jogos de crianças. Como em qualquer planeta as crianças usavam sempre a imaginação para criarem lindos e divertidos jogos.

Outro planeta com tal maravilha era Septuza que era o planeta do elemento terra. Erac6c89bbb22e96fa699d4913b23ef402c aqui que se podiam achar criaturas tão maravilhosas, ultra mágicas e super fantásticas que tudo faziam para proteger e aureolizar Septuza. Em cada bela flor poder-se-ia encontrar uma bela fada-flor do tamanho de borboletas com asas que guardavam todas as cores do arco-íris e suas primas, as fadas boas que tratavam de todas as criaturas com muito amor e respeito. Nas árvores, podíamos encontrar sábios duendes que eram como livros fechados à espera de serem lidos. Existiam mais criaturas e também animais mas, aquelas cujo nome era temido eram as fadas más. Tinham sido mandadas prender nas quentes celas do núcleo onde as suas maldades seriam travadas. Septuza era como uma gigantesca esmeralda verde e brilhante pintalgada de flores de todas as cores. Com o vento, as árvores pareciam bailar ao ritmo das valsas que as fadas e todos os seres encantadores tocavam e dançavam. As crianças, corriam de um lado para o outro, livres e leves como passarinhos, ora a esconder-se nos colos das fadas, ora nos troncos ocos das árvores da floresta clara que, recebia do sol os seus raios como calorosos abraços.

Conto-vos isto como já contei a outros mais que, me acharam mentirosa ou até mesmo maluca, mas não me importo! Penso que não se devem guardar sonhos tão belos como este só para nós!

                                                                                                  Fernand@maro

Quando Vier a Primavera

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Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

 Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”
Heterónimo de Fernando Pessoa

Audição do poema por Pedro Lamaresclica na imagem
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HOJE É DIA DE SER FELIZ!

Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.

Dalai Lamasem nome

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa

Não seja o de hoje.
Não suspires por ontens….
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.

Cecília Meireles

 

 

ODE À MULHER – HÁ MUITAS E MUITAS MARIAS

Cada mulher tem a sua forma de ser, de agir, de amar, de ser mãe, de ser MULHER

Cada mulher é única!

A todas as mulheres especiais dedico este poema!9

HÁ MUITAS E MUITAS MARIAS

Há muitas e muitas Marias

Muitas e muitas mais

Mulher guerreira,

Princesa herdeira

MARIA MULHER, és demais!

Há muitas e muitas Marias

Maria sofrida

Mulher bonita

Maria esquecida

MULHER exemplo de vida!

Há muitas e muitas Marias

Maria mulher,

Mulher mãe,

Mulher filha

Há muitas e muitas mais!

Artistas, vais inspirar

Mulher Maria, mulher heroína

És um exemplo a abraçar

Maria, tu és divina

MARIA, tu és MULHER!

Há muitas e muitas Marias

Há muitas e muitas mais!

Fernand@maro

Mulher1

A VIDA A BORDO DAS NAUS

nau-alimentos” (…) Cada navio era abastecido antes de largar para a índia com os alimentos considerados necessários para a longa viagem; o Armazém da Guiné e índia fornecia ao pessoal da navegação um conjunto de géneros alimentícios (…) as contingências das viagens, o mau acondicionamento dos produtos, as grandes variações climáticas, e, mormente, a enorme falta de higiene a bordo contribuíam para a sua rápida deterioração

Cada navio era abastecido, antes de largar para a Índia, com alimentos necessários para alguns meses – água, vinho, biscoitos (pão de farinha de trigo cozido duas vezes), vinagre, azeite, carne salgada, peixe seco e salgado, feijão, grão-de-bico, cebolas, alhos, figos, amêndoas, uvas passas, queijos, galinhas, coelhos, cabras, etc. Tal como acontecia com os outros alimentos, a água sofria os maus efeitos do clima e das más condições do vasilhame em que se guardava. Para bebê-la era, por vezes, necessário fechar os olhos e tapar o nariz.

Os alimentos sólidos eram entregues crus aos tripulantes, mensalmente, devendo ser cozinhados pelos próprios no fogão de bordo. Os fidalgos e os oficiais tinham os seus próprios cozinheiros.

Entre as doenças mais vulgares contam-se o mal das gengivas ou escorbuto, mais tarde conhecido pelo nome de mal de Luanda e as doenças pulmonares, que começavam a atuar quando se atingiam as zonas mais frias do Sul.”

nauFonte: F.C. Domingues e J. Guerreiro, “A vida a bordo na Carreira da Índia”.

“ (…) Não obstante os graves problemas de higiene causados a bordo, eram também embarcados no Reino e nos possíveis pontos de reabastecimento animais vivos (suínos, ovinos e caprinos) e aves de capoeira (galos, galinhas e frangos). E sempre que era possível acostar, fazia-se a aguada e tentava-se o refresco, quer caçando e resgatando animais, quer colhendo ou adquirindo frutas e legumes frescos. E aproveitavam-se geralmente estas paragens para pescar. (…) Importante era também a provisão da lenha e carvão para a confeção dos alimentos e a proteção contra o frio.

Vejamos agora as quantidades dos principais mantimentos. Um documento datável dos princípios do século XVI dá para a tripulação de 31 homens de uma caravela, para cada mês, a seguinte relação (13):

  • Biscoito — 707 quilosmantimentos
  • Carne — 331»
  • Vinho — 1460 litros
  • Vinagre — 62»
  • Azeite — 31»
  • Pescadas — 77 unidades

Temos, pois, como ração diária para cada homem:

  • Biscoito — 760 gramas
  • Carne — 356»
  • Vinho — 1,5 litros
  • Vinagre — 0,6»
  • Azeite — 0,3»
  • Pescada — uma posta de quase 0,1 de cada peixe.

A distribuição do biscoito, da água e do vinho era diária, mas a dos restantes géneros podia ser semanal ou mensal. E não havia cozinheiro nem caldeira comum. Cada qual cozinhava para si. (…) Além dos alimentos da regra a cargo do despenseiro, quem podia levava provisões ou dinheiro para as comprar a bordo, onde chegavam a atingir preços exorbitantes. (…)

Perante as difíceis condições de vida a bordo, motivadas, nomeadamente, por insuficiência ou deficiência alimentar, por falta de higiene, pela forte concentração de gente num espaço limitado, por agressões climáticas e pelo próprio balancear dos navios, (…) corriam riscos acrescidos de saúde e de vida. As doenças mais comuns a bordo eram as náuseas, as enxaquecas, o escorbuto, a peste, as doenças intestinais e pulmonares.

A terapêutica adotada (…) assentava nas tradicionais sangrias e purgas conjugadas com uma alimentação mais adequada e na aplicação (…) de variadíssimas drogas e mezinhas.

  • Água de borragem — para cólicas
  • Água de almeirões — laxativo
  • Água de língua de boi — anti peçonhento
  • Água de funcho — digestivo e carminativo
  • Água de endívia — hepático
  • Água de serralha — adstringente e antiflogístico
  • Água de alcoela — desintoxicante
  • Unguentos: Diacimino — para resfriamentos e carminativo

Fonte: Silva, José Manuel Azevedo, ” Os navios que o descobriram o mundo e a vida a bordo “.

 

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