História & Estórias

Archive for the ‘Saudade’ Category

AH, QUE SAUDADES!

Ah, que saudade

Ah, esta contraproducente tristeza que chega de mansinho, sem avisar e sem hora marcada! Entra sem ser convidada, instala-se e teima em ficar.

Num piscar de olhos, sou tocada por uma melancolia repleta de lembranças, de alegrias, mas também de lágrimas, de silêncios, mas também de sons, de sabores e de aromas. Sinto o coração apertado e sinto-me envolvida pela poeira do tempo. Sou abraçada pelos raios do passado, o presente desvanece-se e sou projetada no tempo e no espaço.

Por vezes tenho saudade das pessoas queridas que já partiram. Outras vezes tenho vontade de recuar no tempo para determinado momento, ser transportada para um lugar ou para uma época.

Ah, que saudades do colo da minha mãe! Ah, que saudades dos ralhetes do meu pai!

Tenho saudades de uma alegre cavaqueira à volta da fogueira, do calor fraterno nas noites de inverno!

Sinto falta do amigo que partiu, saudade das suas risadas, da delicadeza das suas palavras, das suas brincadeiras, saudade da amizade que ficará na lembrança.

Ah, que saudades…

Anúncios

Guardiões Adormecidos

Castelos, os Guardiões Adormecidos

Desde sempre o ser humano gerou e alimentou conflitos. Desde sempre o homem teve de se rodear de estruturas defensivas, daí não se saber ao certo de quando datarão as primeiras muralhas e castelos defensivos.

Já as tribos de Celtiberos defendiam os seus povoados construindo altos muros /muralhas à volta dos castros ou citânias. Mas foi na Idade Média com a invasão árabe / muçulmana e consequente o processo da Reconquista Cristã que se difundiu na Península Ibérica a construção desses gigantes defensivos, os castelos.

Geralmente os castelos eram erguidos em locais estratégicos, uns circundando e defendo localidades, outros construídos em escarpas rochosas, muitas vezes inacessíveis, funcionando como vigias e guardiões das populações.

São muitos e de diferentes na arquitectura os castelos de Portugal como podes constatar em http://castelosdeportugal.no.sapo.pt/ .

A torre mais importante de um castelo era a torre de menagem, onde por vezes vivia o senhor do castelo. Estava ligada às muralhas por uma ponte de madeira que era derrubada quando o castelo era atacado, para dificultar o assalto à torre. Em alguns casos o senhor vivia noutra zona do castelo na alcáçova.

Estes gigantescos guardiões adormecidos que ao longo dos tempos foram tão importantes na defesa do território português têm sido votados ao esquecimento, daí a grande parte deles estarem em ruínas, com muralhas e torres derrubadas.

Atendendo que são elementos importantes da cultura e da História de Portugal é necessário atear as suas memórias, pois só assim se compreenderá melhor o presente.

Retirado: http://historiaestorias-mfa.blogspot.pt/2009/01/guardioes-adormecidos.html

Fernand@maro

AS CORES DA LIBERDADE

QUEM A TEM…

Não hei-de morrer sem saberave823232

Qual a cor da liberdade.

 

Eu não posso senão ser

desta terra em que nasci.

Embora ao mundo pertença

e sempre a verdade vença,

qual será ser livre aqui,

não hei-de morrer sem saber.

 

Trocaram tudo em maldade,

é quase um crime viver.

Mas embora escondam tudo

e me queiram cego e mudo

não hei-de morrer sem saber

qual a cor da liberdade.

Jorge de Sena, Poesia II

CANTIGA DE ABRIL

Às Forças Armadas e ao povo de Portugal

«Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade»

Jorge de Sena

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.Cartaz 25 Abril

Quase, quase cinquenta anos

reinaram neste país,

a conta de tantos danos,

de tantos crimes e enganos

chegava até à raiz.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Tantos morreram sem ver

o dia do despertar!

Tantos sem poder saber

com que letras escrever

com que palavras gritar!

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Essa paz do cemitério

toda prisão ou censura,

e o poder feito galdério,

sem limite e sem cautério,

todo embófia e sinecura.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Esses ricos sem vergonha,

esses pobres sem futuro,

essa emigração medonha,

e a tristeza uma peçonha

envenenando o ar puro.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Essas guerras de além-mar

gastando as armas e a gente,

esse morrer e matar

sem sinal de se acabar

por política demente.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Esse perder-se no mundo

o nome de Portugal,

essa amargura sem fundo

só miséria sem segundo,

só desespero fatal.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Quase, quase cinquenta anos

durou esta eternidade,

numa sombra de gusanos

e em negócios de ciganos,

entre mentira e maldade.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Saem tanques para a rua,

sai o povo logo atrás:

estala enfim altiva e nua,

com força que não recua,

a verdade mais veraz.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Jorge de Sena, 40 Anos de Servidão, 1979

Tão ATUAL!!! É preciso agir…

“Para que o mal triunfe basta que os homens bons nada façam.” –  Edmund Burke

Há dias, no programa da RTP1 “5 Para a Meia Noite“, apresentado por Nuno Markl, vi e ouvi Fernando Tordo cantar uma das canções que mais o celebrizou “Tourada“. Centrei a minha atenção na letra, onde Ary dos Santos faz uma crítica mordaz à sociedade portuguesa da época e à política do Estado Novo e dei-me a pensar como esta canção está tão atual. Carregada de metáforas críticas ao regime do Estado Novo e à situação social e económica do Portugal de então, conjeturei-me a fazer o paralelismo com o tempo presente e, sem dúvida nenhuma, a “Tourada” está atualíssima, só que o touro é outro.

Deixo-vos, aqui a letra e o vídeo e vejam como tenho razão.mafaldaesperando02

Clica – Tourada

Música: Fernando Tordo
Letra: Ary dos Santos

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo…

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.

SAUDADES DA MINHA MÃE!

Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora? 
Mãe não tem limite, 
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento 
e chuva desaba, 
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro, 
puro pensamento. 
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio. 
Mãe, na sua graça, 
é eternidade. 
Por que Deus se lembra 
— mistério profundo —
de tirá-la um dia? 
Fosse eu Rei do Mundo, 
baixava uma lei: 
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho e ele, 
velho embora, 
será pequenino feito grão de milho.

                                                                          Carlos Drummond de Andrade, in ‘Lição de Coisas’

SAUDADES DO MEU PAI

É Proibido!

É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Pablo Neruda