História & Estórias

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TRIBUTO AO EMIGRANTE

TRIBUTO AO EMIGRANTE

Na mala levo a esperança

No novo mundo encontrar

Trabalho, amor e alegria

Para um dia poder voltarp-11

 

Encontro o desalento

No meio da multidão

A dor sufoca o peito

É tão grande a solidão

 

Oh, saudade maldita

Que dói, mastiga e destrói!

Ela aperta o coração

Devora sem compaixão

 

Olho a lua lá no alto

Que sorri com ironia:

És pessoa decidida

Enérgica e destemida

 

Levanta-te e vai à luta

Não te deixes amofinar

Recomeça sê resoluta

E com força labutar

 

Leva o dia em alegria

Agosto está a chegar

Regressarás em euforia

E saudades irás matar!

Fernand@maro

saudade

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SOB O MEU OLHAR

É o fim de tarde de um dia estival. Passo a passo vou percorrendo a encosta íngreme. Ao olhar para o cume da elevação posso admirar as robustas muralhas do majestoso castelo. Há um contraste inteligente e bem pensado, entre o imponente e o austero, o forte e o aprazível, mas também entre o severo e o risonho, convidando o visitante a percorrê-lo e a andar descontraído junto de tanta grandeza. Observa-se tudo isto num simples e completo olhar de relance e gosta-se imediatamente dele, é bonito, é agradável e oferece mistérios.

Chego, entro pela porta principal e acho-me pequenina perante tamanha grandiosidade. Sinto sobre mim o olhar amável das ilustres, mas também humildes torres que parecem dizer “Sê bem-vinda! Entra, descansa e relaxa admirando esta magnífica paisagem!”. Olho em volta e observo as ruínas da igreja de Santa Maria do Castelo, os muitos vestígios das habitações que por ali houve, as amêndoas sorridentes que pendem das amendoeiras, bem como o gigante colar de muralhas e ameias que circunda este espaço.

Julgo regressar à infância e sinto um enorme impulso de galgar as extensas muralhas. Dirijo-me para elas, olho para baixo. Vejo Numão, postada em posição de veneração e respeito, mas também orgulhosa da sua história, riqueza e beleza. Vejo o serpentear das ruas ladeadas de algum casario granítico alegrado pela cor dos telhados e pelo betão colorido da maioria das habitações. Numão é uma terra cheia de cor a brilhar ao sol. Vejo, ainda, a capela da S. Eufémia, a torre sineira da igreja e a torre da casa do Dr. João Gouveia, homem ilustre e benemérito da aldeia.

Mais ao longe avisto a albufeira da ribeira Teja e a paisagem verdejante da Sequeira com as suas casas brancas, um postal ilustrado de uma tela encantada. Caminho ao longo das muralhas. Desço-as e volto a subi-las. Extasio-me com o que vejo, um cenário hollywoodesco de cortar a respiração. O meu olhar abarca um ambiente aprazível e relaxante, com montes tocarem o céu e vales profundos banhados pelo rio de águas d’ouro, o sublime Douro. A natureza é bela e envolvente, alinhando composições harmoniosas, equivalentes a verdadeiras obras de arte.

Dizem que podem ser avistados o Castelo de Ansiães, Castelo Melhor e Castelo Rodrigo, mas eu nunca os vislumbrei. E tu?

Fernand@maro

MÃE

Mãe,

Ah, que saudade imensa

Do teu cheiro a jasmimFeliz Dia da Mãe3

Dos teus braços de abrigo

Do teu colo de jardim!

Que saudade da tua voz

Dos conselhos que não escutei

Dos castigos que protestei!

Mãe,

De ti colhi a vida,

O sorriso e a alegria

A firmeza e a teimosia

Ah,

Como gostava da tua presença

Mas só te tenho na lembrança

No aconchego do coração

E aí tu serás sempre minha mãe!

Feliz dia da MÃE!

AH, QUE SAUDADES!

Ah, que saudade

Ah, esta contraproducente tristeza que chega de mansinho, sem avisar e sem hora marcada! Entra sem ser convidada, instala-se e teima em ficar.

Num piscar de olhos, sou tocada por uma melancolia repleta de lembranças, de alegrias, mas também de lágrimas, de silêncios, mas também de sons, de sabores e de aromas. Sinto o coração apertado e sinto-me envolvida pela poeira do tempo. Sou abraçada pelos raios do passado, o presente desvanece-se e sou projetada no tempo e no espaço.

Por vezes tenho saudade das pessoas queridas que já partiram. Outras vezes tenho vontade de recuar no tempo para determinado momento, ser transportada para um lugar ou para uma época.

Ah, que saudades do colo da minha mãe! Ah, que saudades dos ralhetes do meu pai!

Tenho saudades de uma alegre cavaqueira à volta da fogueira, do calor fraterno nas noites de inverno!

Sinto falta do amigo que partiu, saudade das suas risadas, da delicadeza das suas palavras, das suas brincadeiras, saudade da amizade que ficará na lembrança.

Ah, que saudades…