História & Estórias

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MEMÓRIAS DE VERÃO

Seja uma bebida ao pôr do sol, um passeio ao entardecer, um piquenique à beira rio ou uma viagem de sonho. O verão é tempo de férias, é tempo de descansar com sabor a praia e a campo, a alegria e descontração.

O verão da minha infância cheira a aldeia, a terra e a fruta. Era quando as férias duravam 3 meses e chegava mesmo a ter saudades da escola. Era o tempo das cigarras, das tarde e noites quentes, em que deitada na varanda observava o céu estrelado e imaginava-me a viajar pelo espaço infinito à procura de um príncipe encantado montado no seu cavalo alado da cor do arco íris ou ser aconchegada e embalada nos braços da estrela mais brilhante, a Estrela Polar.

Nasci e vivi a minha infância numa pacata, mas linda aldeia alto duriense. Para estudar tive que ir para a cidade e somente regressava à aldeia e à casa paterna no período das férias. Mas sem dúvida que as minhas férias preferidas eram as do verão. Era o tempo de rever os amigos, era o tempo dos bailaricos e das paixonetas, era o tempo dos fins de tarde abafados, já depois do banho tomado no tanque ou na fonte. Era irmos espreitar, o pôr do sol, na torre mais alta do castelo e avistar o serpentear da coluna de fumo do comboio que corria e apitava junto ao Douro. Era jogarmos à bola ou à bilharda, brincarmos às escondidas ou às apanhadas, era irmos até à ribeira Teja chapinarmos nas poças de água que ela ainda tinha ou então apanhar as amoras, rapinar as maçãs e as peras das árvores que por lá havia. No final do verão assaltávamos, também, os vinhedos à procura da uva moscatel ou do dedo de dama, que eram as mais apreciadas.

No meu caso, as férias grandes eram acima de tudo a grande oportunidade de ler. Adorava histórias de príncipes e princesas, fadas e bruxas, em que o bem triunfava sobre o mal e o amor saía sempre vencedor. Gostava também das  histórias de animais personificados, quase sempre começadas por: “Há muito, muito tempo, na época em que os animais falavam…” Nessa altura era utente assídua da Biblioteca Itinerante Calouste Gulbenkian, que nos visitava regularmente. Aos seus abalizados funcionários devo o gosto que ainda tenho pela leitura. Foram eles  que muito contribuíram para esta minha paixão pelos livros, pelas letras. Recordo que simpaticamente me aconselhavam os livros adequados à minha idade e me deixavam trazer mais dos que os permitidos.

As férias na praia só as tive na idade adulta, quando fui para a faculdade. Hoje são as minhas preferidas! Adoro passear à beira mar, chapinhar na água, pontapear as ondas e saborear e cheirar a brisa marinha! Apraz-me observar o sol espraiar-se no mar e criar um resplandecente por do sol  em tons de laranja e amarelo! Gosto de apreciar a beleza do verde e do azul  do mar  e sonhar com as terras distantes e os lugares recheados de magia que são banhadas por aquelas águas imensas! Como gostaria de viajar na crista das ondas e ser transportada para essas aventuras fantásticas e encantatórias!

Como gostaria de regressar aos verões da minha infância, em que tudo era simples e muito feliz, mas eu não o sabia!

Fernand@maro

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Celeste a mulher que fez do cravo o símbolo do 25 de Abril de 1974

Em 1974 Celeste Caeiro tinha 40 anos e vivia num quarto que alugara no Chiado, com a mãe e com a filha. Trabalhava na rua Braancamp, na limpeza do restaurante Franjinhas, que abrira um ano antes. O dia de inauguração fora precisamente o 25 de Abril de 1973. O gerente queria comemorar o primeiro aniversário do restaurante oferecendo cravos à clientela. Tinha comprado cravos vermelhos e tinha-os no restaurante, quando soube pela rádio que estava na rua uma revolução. Mandou embora toda a gente e acrescentou: “Levem as flores para casa, é escusado ficarem aqui a murchar”.
Celeste foi então de Metro até ao Rossio e aí recorda ter visto os “chaimites” e ter perguntado a um soldado o que era aquilo.
O soldado, que já lá estava desde muito cedo, pediu-lhe um cigarro e Celeste, que não fumava, só pôde oferecer-lhe um cravo. O soldado logo colocou o cravo no cano da espingarda. O gesto foi visto e imitado.
No caminho, a pé, para o Largo do Carmo, Celeste foi oferecendo cravos e os soldados foram colocando esses cravos em mais canos de mais espingardas.

Fonte: RTP

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA – CHEIROS E SABORES DE NATAL

Porque há memórias, receitas, cheiros e sabores que aquecem a alma, que nos alimentam o espírito, hoje, 21 de dezembro, recordo com saudade os aromas e os sabores aconchegantes dos natais da minha meninice. Estes eram únicos, bem como toda a euforia e entusiasmo que irradiava desta quadra festiva!

Tudo começava com a recolha de pequeno e finos toros de madeira que iriam, depois de acesos, fazer ferver o azeite, numa sertã/frigideira de três pernas, que fritariam as tão deliciosas de bolas de natal, também conhecidas por filhós.

Eu segurava no alguidar, e com a força que parecia não ter, a minha mãe com a massa até ao cotovelo amassava e voltava a amassar, batia e socava a massa uma e outra vez. Quando esta se soltava bem das mãos estava pronta para levedar. Depois de polvilhada com farinha, era coberta com um pano branco e colocada junto da lareira para que crescesse bem e rapidamente.

Sentada num pequeno banco de madeira, com um pano branco nos joelhos, a minha mãe fazia bolinhas de massa que, depois de molhadas em azeite numa pequena tigela junto à lareira, tendia sobre o joelho fazendo a bola/a filhó e colocava-a no azeite. Eu gostava delas finas, quase transparentes! Eu, ao seu lado, com um garfo grande, virava, com cuidado e carinho, cada filhó. Depois de bem douradas e bem escorridas eram polvilhadas com açúcar e canela, guardas num tabuleiro ou num cesto e cobertas com uma toalha branca.

Adorava-as e adoro-as quentinhas, acabadas de fazer! Estas eram comidas não só na noite de consoada, no dia de Natal, mas também ao longo da semana até ao Ano Novo.

Para que a tradição natalícia fosse cumprida na noite de consoada comia-se o bacalhau cozido, o arroz de polvo e as migas /açorda de bacalhau e couve penca. Na sobremesa não podia faltar as filhós, o arroz doce e as rabanadas e salpicadas com canela.

Ainda, na noite de 24 de dezembro, enquanto alguns jovens andavam de porta em porta a cantar “As Boas Festas”, outros cavaqueavam e aqueciam-se junto do gigantesco cepo / madeiro que ardia no largo da igreja. Este era ateado no entardecer da véspera de Natal e ardia até ao Dia dos Reis. Nos dias anteriores os rapazes da aldeia iam roubar grandes troncos e raízes de árvores que depositavam no adro da igreja. Hoje pessoas de todas as idades continuam a juntar-se e a conviver em redor do cepo / da fogueira, aproveitando o lume do braseiro para assar e saborear frangos e febras de porco.

Ao deitar e antes da meia-noite, colocava o meu sapato na chaminé da lareira, na esperança que o Menino Jesus lá deixasse uma prendinha. Ele nunca deu com a minha casa, a prenda nunca apareceu mas, no dia de Natal, eu podia exibir-me e com vaidade com uma roupa nova.

Não posso esquecer e deixar de referir o presépio e a Árvore de Natal, que eram construídos juntos para que o pinheiro protegesse a gruta do Menino Jesus. Era também uma grande azáfama! Após cortarmos o pinheiro, arranjarmos o musgo, fazíamos a Árvore de Natal, enfeitando-a com bolinhas e fitas brilhantes. Por baixo montávamos o presépio com montes e vales, rebanhos e pastores e uma gruta que albergava o Menino Jesus, Nossa Senhora, S. José e o burrinho e vaquinha. Claro que não podia faltar a Estrela de Belém e os três Reis Magos!

Sou fã e colecionadora de presépios, tenho muitos (cerca de oitenta) e já fiz muitos, mas nunca consegui fazer um tão bonito como aqueles que recordo da minha infância!

Fernand@maro

A ORIGEM DA ÁRVORE DE NATAL EM PORTUGAL

imagesCAKW5HYRFoi D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II, que, no séc. XIX, introduziu, em Portugal, a tradição da Árvore de Natal e das coroas do advento.

Até meados do século XIX, a tradição do Natal, em Portugal, tinha como centro a figura do Presépio.

Em 1836, a Rainha D. Maria II casou-se com D. Fernando II, o Rei-Artista. D. Fernando, além de se dedicar à pintura e à música, foi mecenas restaurando de vários monumentos, alguns em mau estado, como o Mosteiro da Batalha, o Convento de Mafra, o Convento da Ordem de Cristo, em Tomar, o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa e patrocinou os estudos de vários portugueses em outros países, assim como falava e escrevia muito bem em português, algo difícil para a maioria dos alemães.

Do seu casamento com D. Maria II nasceram onze filhos, dois dos quais foram mais tarde reis, D. Pedro V e D. Luís I. Quatro morreram recém-nascidos e três (entre eles o rei D. Pedro V) morreram jovens, devido à febre tifóide.

D. Maria II  morreu no Palácio das Necessidades, a 15 de Novembro de 1853, em consequência de parto.

D. Fernando tinha passado a infância comemorando o Natal segundo a velha tradição germânica de decorar um pinheiro com velas, bolas e frutos. Por isso, quando começaram a nascer os seus filhos com D. Maria II D. Fernando decidiu animar o palácio com um Natal de tradições germânicas.

Segundo registos e gravuras do próprio rei, D. Fernando II, na Noite de Natal, vestia-se de S. Nicolau e distribuía presentes aos seus filhos numa festa genuinamente familiar.

1289814398m6bSFAMas a grande divulgação da Árvore de Natal deu-se no século XX, na década de 60, devido à revolução nos meios de informação e comunicação, como a televisão, altura em que, também, a figura do “Pai Natal” começou a “ganhar terreno” ao Menino Jesus – única verdadeira razão pela qual se celebra o Natal, pois Natal significa nascimento; neste caso, é a celebração do nascimento de Jesus Cristo.

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