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A FÁBULA DOS FEIJÕES CINZENTOS

A Fábula dos Feijões Cinzentos 

25 de Abril como quem conta um conto, de José Vaz.capa-do-livro-a-fabula-dos-feijoes-cinzentos

«Em tempos que já lá vão, existiu um reino chamado “Jardim-à-Beira-Mar-Plantado.”» – assim começa a fábula que, segundo o seu autor José Vaz é sobre a revolução de abril…

Três feijões tomaram conta do reino do “Jardim-à-Beira-Mar-Plantado”, roubando aos que ali viviam: o sol, a água e o ar. Reprimiram o povo, mandaram jovens para a guerra onde acabaram por morrer muitos feijões. Houve protestos, reuniões e expulsão dos opressores. A desgraça acabou e passou a haver sol, ar e água para todos. Os feijões cinzentos voltaram a ter as suas cores e no reino vegetal apareceu a PRIMAVERA.

VÊ O POWERPOINT SOBRE A FÁBULA E CLICA A_fabula_dos_feijoes_cinzentos_25abril1

ABRIL

ABRIL

Havia uma lua de prata e sangueE_preciso_salvar_Abril_Henrique_Matos

em cada mão.

Era Abril.

Havia um vento

que empurrava o nosso olhar

e um momento de água clara a escorrer

pelo rosto das mães cansadas.

Era Abril

que descia aos tropeções

pelas ladeiras da cidade.

Abril

tingindo de perfume os hospitais

e colando um verso branco em cada farda.

Era Abril

o mês imprescindível que trazia

um sonho de bagos de romã

e o ar

a saber a framboesas.

Abril

um mês de flores concretas

colocadas na espoleta do desejo

flores pesadas de seiva e cânticos azuis

um mês de flores

um mês.

Havia barcos a voltar

de parte nenhuma

em Abril

e homens que escavavam a terra

em busca da vertical.

Ardiam as palavras

Nesse mês

e foram vistos

dicionários a voar

e mulheres que se despiam abraçando

a pele das oliveiras.

Era Abril que veio e que partiu.

Abril

a deixar sementes prateadas

germinando longamente

no olhar dos meninos por haver.

                                                                                   José Fanha

O SABER NÃO OCUPA LUGAR

A origem da palavra “molete
No norte molete é um pão pequeno = carcaça; biju; papo-seco
Atribui-se a origem da apelidação de molete à zona de Valongo pois era aí que se fazia o pão que se consumia no Porto. O pão tradicional, a regueifa era demasiado grande para consumo individual.
Acontece que o general francês que comandava o exército inimigo, durante as Invasões Francesas, um homem chamado Mollet, tinha tomado de assalto e estava aquartelado, no (Convento) que é hoje o Colégio da Formiga, em Ermesinde, era grande apreciador desse pão e todos os dias, ao pequeno-almoço, não o dispensava.
Dado ter um exército para alimentar e dada a crise existente e a logística necessária, decidiu que o pão teria que ser mais pequeno em doses individuais, o que foi feito de imediato, por sua ordem.
Na localidade, os padeiros já sabiam que todos os dias o pão (sempre feito durante a noite) tinha que estar pronto à mesma hora e quando colocavam as cestas nas carroças que iam para o Porto dizia-se:
– Lá vai o pão para o Molete!
(Como não sabiam falar francês, era assim que o chamavam.)
A partir daí, os pãezinhos pequenos começaram a chamar-se “moletes” e como se verificou ser a ideia bastante prática, começaram a ser fornecidos às populações até aos nossos dias.
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AS CORES DA LIBERDADE

QUEM A TEM…

Não hei-de morrer sem saberave823232

Qual a cor da liberdade.

 

Eu não posso senão ser

desta terra em que nasci.

Embora ao mundo pertença

e sempre a verdade vença,

qual será ser livre aqui,

não hei-de morrer sem saber.

 

Trocaram tudo em maldade,

é quase um crime viver.

Mas embora escondam tudo

e me queiram cego e mudo

não hei-de morrer sem saber

qual a cor da liberdade.

Jorge de Sena, Poesia II

CANTIGA DE ABRIL

Às Forças Armadas e ao povo de Portugal

«Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade»

Jorge de Sena

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.Cartaz 25 Abril

Quase, quase cinquenta anos

reinaram neste país,

a conta de tantos danos,

de tantos crimes e enganos

chegava até à raiz.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Tantos morreram sem ver

o dia do despertar!

Tantos sem poder saber

com que letras escrever

com que palavras gritar!

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Essa paz do cemitério

toda prisão ou censura,

e o poder feito galdério,

sem limite e sem cautério,

todo embófia e sinecura.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Esses ricos sem vergonha,

esses pobres sem futuro,

essa emigração medonha,

e a tristeza uma peçonha

envenenando o ar puro.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Essas guerras de além-mar

gastando as armas e a gente,

esse morrer e matar

sem sinal de se acabar

por política demente.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Esse perder-se no mundo

o nome de Portugal,

essa amargura sem fundo

só miséria sem segundo,

só desespero fatal.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Quase, quase cinquenta anos

durou esta eternidade,

numa sombra de gusanos

e em negócios de ciganos,

entre mentira e maldade.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Saem tanques para a rua,

sai o povo logo atrás:

estala enfim altiva e nua,

com força que não recua,

a verdade mais veraz.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Jorge de Sena, 40 Anos de Servidão, 1979

Tão ATUAL!!! É preciso agir…

“Para que o mal triunfe basta que os homens bons nada façam.” –  Edmund Burke

Há dias, no programa da RTP1 “5 Para a Meia Noite“, apresentado por Nuno Markl, vi e ouvi Fernando Tordo cantar uma das canções que mais o celebrizou “Tourada“. Centrei a minha atenção na letra, onde Ary dos Santos faz uma crítica mordaz à sociedade portuguesa da época e à política do Estado Novo e dei-me a pensar como esta canção está tão atual. Carregada de metáforas críticas ao regime do Estado Novo e à situação social e económica do Portugal de então, conjeturei-me a fazer o paralelismo com o tempo presente e, sem dúvida nenhuma, a “Tourada” está atualíssima, só que o touro é outro.

Deixo-vos, aqui a letra e o vídeo e vejam como tenho razão.mafaldaesperando02

Clica – Tourada

Música: Fernando Tordo
Letra: Ary dos Santos

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo…

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.

HISTÓRIA ANTIGA

HISTÓRIA ANTIGA

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.imagesCA5OPUQY

Feio bicho, de resto:

Uma cara de burro sem cabresto

E duas grandes tranças.

A gente olhava, reparava e via

Que naquela figura não havia

Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.

Porque um dia,

O malvado,

Só por ter o poder de quem é rei

Por não ter coração,

Sem mais nem menos,

Mandou matar quantos eram pequenos

Nas cidades e aldeias da nação.

Mas, por acaso ou milagre, aconteceu

Que, num burrinho pela areia fora,

Fugiu

Daquelas mãos de sangue um pequenito

Que o vivo sol da vida acarinhou;

E bastou

Esse palmo de sonho

Para encher este mundo de alegria;

Para crescer, ser Deus;

E meter no inferno o tal das tranças,

Só porque ele não gostava de crianças.

                                                                Miguel Torga Antologia Poética Coimbra, Ed. do Autor, 1981

A ORIGEM DA ÁRVORE DE NATAL EM PORTUGAL

imagesCAKW5HYRFoi D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II, que, no séc. XIX, introduziu, em Portugal, a tradição da Árvore de Natal e das coroas do advento.

Até meados do século XIX, a tradição do Natal, em Portugal, tinha como centro a figura do Presépio.

Em 1836, a Rainha D. Maria II casou-se com D. Fernando II, o Rei-Artista. D. Fernando, além de se dedicar à pintura e à música, foi mecenas restaurando de vários monumentos, alguns em mau estado, como o Mosteiro da Batalha, o Convento de Mafra, o Convento da Ordem de Cristo, em Tomar, o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa e patrocinou os estudos de vários portugueses em outros países, assim como falava e escrevia muito bem em português, algo difícil para a maioria dos alemães.

Do seu casamento com D. Maria II nasceram onze filhos, dois dos quais foram mais tarde reis, D. Pedro V e D. Luís I. Quatro morreram recém-nascidos e três (entre eles o rei D. Pedro V) morreram jovens, devido à febre tifóide.

D. Maria II  morreu no Palácio das Necessidades, a 15 de Novembro de 1853, em consequência de parto.

D. Fernando tinha passado a infância comemorando o Natal segundo a velha tradição germânica de decorar um pinheiro com velas, bolas e frutos. Por isso, quando começaram a nascer os seus filhos com D. Maria II D. Fernando decidiu animar o palácio com um Natal de tradições germânicas.

Segundo registos e gravuras do próprio rei, D. Fernando II, na Noite de Natal, vestia-se de S. Nicolau e distribuía presentes aos seus filhos numa festa genuinamente familiar.

1289814398m6bSFAMas a grande divulgação da Árvore de Natal deu-se no século XX, na década de 60, devido à revolução nos meios de informação e comunicação, como a televisão, altura em que, também, a figura do “Pai Natal” começou a “ganhar terreno” ao Menino Jesus – única verdadeira razão pela qual se celebra o Natal, pois Natal significa nascimento; neste caso, é a celebração do nascimento de Jesus Cristo.