História & Estórias

Archive for the ‘Saber não ocupa lugar’ Category

O PRINCÍPIO DO FIM

Quarenta dias antes da revolução do 25 de Abril de 1974, deu-se a tentativa das Caldas. Um fracassado golpe militar que contou somente com 170 homens da Infantaria 5 das Caldas da Rainha. Frustrados os objetivos, foram feitas prisões a nível militar.

O golpe das Caldas acabou por ser um ensaio militar na preparação das operações que conduziram à revolução do 25 de Abril de 1974, que instaurou a democracia no nosso país e recuperou as liberdades fundamentais do povo português.

O já falecido historiador e político António Medeiros Ferreira referiu que o 16 de Março esteve para o 25 de Abril como o 31 de Janeiro esteve para o 5 de Outubro, mas que a História por vezes é cruel e este foi injustamente esquecido.

16 março 1974

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Mas que coisa!!!…

Esta é uma ficha de trabalho que dou frequentemente aos meus alunos para que possam desenvolver e diversificar as competências a nível vocabular.


Lê atentamente a página do diário do João, que abaixo se transcreve. Nela, o João repete com insistência as palavras “coisa” e “coisas”.

A tua tarefa será reescrever esta página, fazendo as alterações possíveis de forma a evitar tantas repetições.

despertador


“- Mas que coisa!!! Estou atrasado outra vez!!!

Visto-me a correr, e saio sem comer nada, pois a coisa das torradas estava avariada.

A viagem de minha casa até ao escritório continua a mesma coisa: trânsito muito lento, muitas buzinas, parece que toda a gente está atrasada… Mas hoje a coisa esteve pior ainda, pois, com a CP em greve, toda a gente tirou o carro da garagem. Mas greve é coisa que não se discute.

Depois de 45 minutos, cheguei enfim ao escritório!

Entro discretamente, pouso as coisas na secretária, mas logo o chefe aproxima-se e diz:

– João, outra vez a mesma coisa? Não há maneira de chegares a horas! Ao menos se não deixasses amontoar tanta coisa na tua secretária! E não me venhas com coisas outra vez! Daqui para a frente as coisas têm que mudar radicalmente neste escritório. Ou és pontual, ou serás demitido.

Enquanto ouvia o discurso de sempre passaram-me umas coisas pela cabeça, mas resolvi ficar calado e não dizer nada… A coisa, hoje, está complicada para quem anda à procura de emprego!…

Agora chega de escrever nesta coisa. O dia chegou ao fim e, se Deus quiser, amanhã a coisa será diferente.”

A VIDA A BORDO DAS NAUS

nau-alimentos” (…) Cada navio era abastecido antes de largar para a índia com os alimentos considerados necessários para a longa viagem; o Armazém da Guiné e índia fornecia ao pessoal da navegação um conjunto de géneros alimentícios (…) as contingências das viagens, o mau acondicionamento dos produtos, as grandes variações climáticas, e, mormente, a enorme falta de higiene a bordo contribuíam para a sua rápida deterioração

Cada navio era abastecido, antes de largar para a Índia, com alimentos necessários para alguns meses – água, vinho, biscoitos (pão de farinha de trigo cozido duas vezes), vinagre, azeite, carne salgada, peixe seco e salgado, feijão, grão-de-bico, cebolas, alhos, figos, amêndoas, uvas passas, queijos, galinhas, coelhos, cabras, etc. Tal como acontecia com os outros alimentos, a água sofria os maus efeitos do clima e das más condições do vasilhame em que se guardava. Para bebê-la era, por vezes, necessário fechar os olhos e tapar o nariz.

Os alimentos sólidos eram entregues crus aos tripulantes, mensalmente, devendo ser cozinhados pelos próprios no fogão de bordo. Os fidalgos e os oficiais tinham os seus próprios cozinheiros.

Entre as doenças mais vulgares contam-se o mal das gengivas ou escorbuto, mais tarde conhecido pelo nome de mal de Luanda e as doenças pulmonares, que começavam a atuar quando se atingiam as zonas mais frias do Sul.”

nauFonte: F.C. Domingues e J. Guerreiro, “A vida a bordo na Carreira da Índia”.

“ (…) Não obstante os graves problemas de higiene causados a bordo, eram também embarcados no Reino e nos possíveis pontos de reabastecimento animais vivos (suínos, ovinos e caprinos) e aves de capoeira (galos, galinhas e frangos). E sempre que era possível acostar, fazia-se a aguada e tentava-se o refresco, quer caçando e resgatando animais, quer colhendo ou adquirindo frutas e legumes frescos. E aproveitavam-se geralmente estas paragens para pescar. (…) Importante era também a provisão da lenha e carvão para a confeção dos alimentos e a proteção contra o frio.

Vejamos agora as quantidades dos principais mantimentos. Um documento datável dos princípios do século XVI dá para a tripulação de 31 homens de uma caravela, para cada mês, a seguinte relação (13):

  • Biscoito — 707 quilosmantimentos
  • Carne — 331»
  • Vinho — 1460 litros
  • Vinagre — 62»
  • Azeite — 31»
  • Pescadas — 77 unidades

Temos, pois, como ração diária para cada homem:

  • Biscoito — 760 gramas
  • Carne — 356»
  • Vinho — 1,5 litros
  • Vinagre — 0,6»
  • Azeite — 0,3»
  • Pescada — uma posta de quase 0,1 de cada peixe.

A distribuição do biscoito, da água e do vinho era diária, mas a dos restantes géneros podia ser semanal ou mensal. E não havia cozinheiro nem caldeira comum. Cada qual cozinhava para si. (…) Além dos alimentos da regra a cargo do despenseiro, quem podia levava provisões ou dinheiro para as comprar a bordo, onde chegavam a atingir preços exorbitantes. (…)

Perante as difíceis condições de vida a bordo, motivadas, nomeadamente, por insuficiência ou deficiência alimentar, por falta de higiene, pela forte concentração de gente num espaço limitado, por agressões climáticas e pelo próprio balancear dos navios, (…) corriam riscos acrescidos de saúde e de vida. As doenças mais comuns a bordo eram as náuseas, as enxaquecas, o escorbuto, a peste, as doenças intestinais e pulmonares.

A terapêutica adotada (…) assentava nas tradicionais sangrias e purgas conjugadas com uma alimentação mais adequada e na aplicação (…) de variadíssimas drogas e mezinhas.

  • Água de borragem — para cólicas
  • Água de almeirões — laxativo
  • Água de língua de boi — anti peçonhento
  • Água de funcho — digestivo e carminativo
  • Água de endívia — hepático
  • Água de serralha — adstringente e antiflogístico
  • Água de alcoela — desintoxicante
  • Unguentos: Diacimino — para resfriamentos e carminativo

Fonte: Silva, José Manuel Azevedo, ” Os navios que o descobriram o mundo e a vida a bordo “.

 

O ENTRUDO DA MINHA INFÂNCIA

O Entrudo da minha Infância

Entrudo ou Carnaval!?

O Entrudo ou o Carnaval chegaram, com muita folia, alegria e diversão!

O Enterro do Entrudo, foto do grupo “Numão – Uma Glória do Passado”, do facebook.

Durante muito tempo vivi intrigada! É Entrudo ou é Carnaval!?

Até aos dez anos vivi na aldeia, onde se brincava ao Entrudo. Apesar de não ser muito foliona, recordo vagamente e com saudade alguns festejos entrudescos da minha meninice, tais como: o Enterro do Entrudo, o Julgamento e Morte do Galo e a Serrada da Velha.

Lembro-me que no Enterro do Entrudo a rapaziada percorria, em cortejo as principais ruas da aldeia, transportando numa padiola um morto fictício, que levava um bocado de carne na boca. Esta festividade continua a realizar-se.

Se não estou enganada, o galo era o culpado de todos os problemas e fracassos que havia na aldeia. Acontecia, então, o Julgamento e Morte do Galo. Num palco, a um galo capão era-lhe cortada a cabeça.

Quanto à Serrada da Velha penso ser uma declaração ruidosa, trocista e provocatória dirigida, pelos rapazes, às mulheres velhas da aldeia. Lembro-me de uma lengalenga, que penso estar associada, esta prática: “Serra a velha no cortiço, minha avó não diga isso…” e de mais não me recordo. De acordo com informação do meu conterrâneo José Augusto Fonseca a rapaziada numantina ainda lengalengava “ Ó minha avozinha/Estamos no meio da Quaresma/Sem provarmos o bacalhau/Serramos esta velha/Como quem serra um pau.” Quanto mais as velhas amaldiçoavam e praguejavam, mais eles serravam o cortiço e caçoavam. Acontecia, frequentemente, serem bafejados com algumas penicadas muito mal cheirosas, lançadas pelo janelo do postigo.

Quem não tinha máscaras cobria a cara com um pano de renda e desta forma podia brincar ao entrudo sem ser reconhecido.

Quando fui para a cidade passei a ouvir falar de Carnaval. Aqui, é importante referir, que no tempo da minha meninice não havia tanta divulgação da informação, não só devido à proibição da ditadura do Estado Novo, como também pela escassez dos órgãos de comunicação. Somente havia dois canais de televisão RTP1 e RTP2, que como os jornais, rádios e todos os outros meios de informação e comunicação eram censurados. Cheguei, então, à conclusão que Carnaval e Entrudo são palavras sinónimas que indicam o período de três dias de festejos que antecedem o início da Quaresma.

O termo Carnaval, sempre mais utilizado nos meios urbanos, provém do latim e significa o que designaria o «adeus à carne».

A palavra Entrudo, usada mais nas zonas rurais, deriva do latim “introitu“, que significa “entrada, acesso, introdução, começo…”.

Sendo assim, os festejos do Entrudo correspondem às festividades do Carnaval, período de folguedos, de euforia e de sátira social, em que se come carne em abundância, prevendo a abstinência da Quaresma.

No nosso país, uma das primeiras alusões ao Entrudo, encontra-se datada de 1252, no reinado de D. Afonso III, não precisamente relacionado com os festejos carnavalescos, mas com solenidades do calendário religioso.

Carnaval ou Entrudo, o importante é a diversão, afinal lá diz o provérbio:

Esta vida são dois dias, e o Carnaval são três”!

Aprender a estudar

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Aprender a estudar

Estudar é muito importante,
mas pode-se estudar de várias maneiras…

Muitas vezes estudar não é só aprender o que vem nos livros.

Estudar não é só ler nos livros que há nas escolas.
É também aprender a ser livres, sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante,
às vezes, urgente.
Mas os livros não são o bastante para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever,
mas também a viver,
mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer,
aprender a estudar.

Aprender a crescer quer dizer:
aprender a estudar,
a conhecer os outros,
a ajudar os outros,
a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros
aprende sempre a viver bem consigo próprio.

Não merecer um castigo é estudar.

Estar contente consigo é estudar.

Aprender a terra,
aprender o trigo
e ter um amigo
também é estudar.

Estudar também é repartir,
também é saber dar o que a gente souber dividir
para multiplicar.

Estudar é escrever um ditado
sem ninguém nos ditar;
e se um erro nos for apontado
é sabê-lo emendar.

É preciso, em vez de um tinteiro,
ter uma cabeça que saiba pensar, pois,
na escola da vida, primeiro está saber estudar.

Contar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta que se pode fazer.

Dizer apenas música, quando se ouve um pássaro,
pode ser a mais bela redação do mundo…

Estudar é muito,  mas pensar é tudo!

Ary dos Santos (1937-1984)

Liberdade

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Liberdade     CLICA AQUI

Ai que prazer
Não cumprir um dever,

Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doura sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa.

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

Fernando Pessoa

O SABER NÃO OCUPA LUGAR

A origem da palavra “molete
No norte molete é um pão pequeno = carcaça; biju; papo-seco
Atribui-se a origem da apelidação de molete à zona de Valongo pois era aí que se fazia o pão que se consumia no Porto. O pão tradicional, a regueifa era demasiado grande para consumo individual.
Acontece que o general francês que comandava o exército inimigo, durante as Invasões Francesas, um homem chamado Mollet, tinha tomado de assalto e estava aquartelado, no (Convento) que é hoje o Colégio da Formiga, em Ermesinde, era grande apreciador desse pão e todos os dias, ao pequeno-almoço, não o dispensava.
Dado ter um exército para alimentar e dada a crise existente e a logística necessária, decidiu que o pão teria que ser mais pequeno em doses individuais, o que foi feito de imediato, por sua ordem.
Na localidade, os padeiros já sabiam que todos os dias o pão (sempre feito durante a noite) tinha que estar pronto à mesma hora e quando colocavam as cestas nas carroças que iam para o Porto dizia-se:
– Lá vai o pão para o Molete!
(Como não sabiam falar francês, era assim que o chamavam.)
A partir daí, os pãezinhos pequenos começaram a chamar-se “moletes” e como se verificou ser a ideia bastante prática, começaram a ser fornecidos às populações até aos nossos dias.
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