História & Estórias

Archive for the ‘Desabafos’ Category

EU VOU ESTAR AQUI

Hoje, amanhã e sempre
Aqui estarei!
Como ontem estive
Como sempre fiquei
A esperar por ti!
Para onde quer que vás
Mesmo longe daqui
Eu vou estar aqui
Somente para ti!
Um sorriso luminoso
Um colo carinhoso
Abraços contigo
No teu porto de abrigo!

Fernand@maro

EU VOU ESTAR AQUI!

MANCA QUE MANCA

Manca que manca
Desce a calçada
Não pelo passeio
Mas pela estrada!
Olha, a velha
Que tola está497ea874c5eeee782542618a8e5cd7d5--luis-do-do
Vacila aqui
Vacila acolá!
Olha, a velha
A velha descuidada
Por este andar
Vai ser atropelada!
Sou eu essa a pessoa
Que está desatinada
Devido às artroses
Tem dores atrozes
Daí na rua caminhar
E o passeio abandonar!
Uma coisa é certa
Que devido à inclinação
É mais fácil ao descer
A rua percorrer!
Posto isto, cheguei à conclusão
Que velha estou a ficar
Por preferir na rua transitar!

Fernand@maro

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O ESPELHO

“Não penso na velhice, tenho medo que a velhice pense em mim.”

                                            O ESPELHO
Esse que em mim envelhece
assomou ao espelho
a tentar mostrar que sou eu.

Os outros de mim,Identidade-na-velhice2
fingindo desconhecer a imagem,
deixaram-me, a sós, perplexo,
com meu súbito reflexo.

A idade é isto: o peso da luz
com que nos vemos.

Maputo, 2006
 Mia Couto

20 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA FELICIDADE

Hoje, 20 de março, comemora-se o Dia Internacional da Felicidade. Este foi declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em junho de 2012, alegando que “a busca da felicidade é um dos objetivos fundamentais do ser humano”.
Uma vez que o Butão mede a felicidade da sua população da mesma forma como mede o Produto Interno Bruto (PIB), este decidiu propor à ONU uma data especial para lembrar aos
O FIB, como é chamado o índice da felicidade, é composto por dez pilares: educação para a inclusão social, preservação e promoção dos valores culturais, resiliência ecológica, boa governança, vitalidade comunitária, saúde, desenvolvimento sustentável, diminuição da jornada de trabalho, desporto, igualdade entre géneros e liberdade de pensamento.
Assim, em 2013, comemorou-se pela primeira vez o Dia Internacional da Felicidade.

Cantiga

Nas ondas da praia4f10fc87571aa504331b8622c0788136
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.

Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d’alva
Rainha do mar.

Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.

                                                                          Manuel Bandeira

LER É UM PRAZER!

     É uma manhã de domingo de inverno! O dia acordou solarengo. Vou aproveitar o sol, recarregar baterias e acumular energia para vencer a semana que se pressupõe ser agitada e trabalhosa. Pego num livro e sento-me na janela que se debruça sobre a paisagem, procurando usufruir de um dos meus prazeres.
     Ler é um prazer, não só para quem cresceu entre livros e conquistou a cada página lida, o gosto pela leitura, como também para aqueles que buscaram aventuras e encontraram essas máquinas do tempo nas casas de amigos e vizinhos ou mesmo nas estantes da Biblioteca Itinerante Calouste Gulbenkian que, visitava de quinze em quinze dias as aldeias do interior. Eu fui uma dessas curiosas e aventureiras que descobriram que cada livro guarda dentro mundos desconhecidos e atraentes, tempos com lugares mágicos e fantásticos com pessoas monstruosas e admiráveis. Eu sou uma dessas que se apercebeu que cada livro abriga outras memórias, outras formas de ser e de estar, de sentir, de comunicar, de rir…, pelo que persiste no ato da leitura.
     Ler é um prazer, não uma obrigação!

Fernand@maro

O TEU OLHAR…

O teu olhar de amor
Brilhante como um farol
São olhos cheios de sol
Que enlaçam com ardor!
 
No teu olhar profundo
Viajo por todo o mundo
Onde há paz e harmonia
E todos vivem em alegria!
 
O teu intenso olhar
Espelha o verbo amar
Acalenta todo o meu ser
É ser, é ter e é viver!
 
Com o teu olhar sagaz
De tudo eu sou capaz!
 
Fernand@maro

O VERÃO DO MEU (DES)CONTENTAMENTO

Ainda estou p’ra perceber
O que está acontecer
Um frio de inverno
No calor de verão!
Por isso ando perdida
Quiçá um pouco confusa
Por não ter a satisfação
Do calor da estação!
Em vez do calor infernal
Julho com chuvas outonais
Agosto de cinzento anormal
A lembrar temporais invernais!
 
Se eu gosto do verão?
Então não gosto! 
Gosto do verão
Com sabor a mar
E na praia rir e saltar
Ao ar livre passear
Ouvir a natureza cantar!
Gosto no verão
Do por do sol avermelhado
Do amanhecer iluminado
Que nos abraça com fervor
 E nos beija com amor!
 
Quem me manda querer entender?
Porque o Homem e a Natureza
Dificilmente  estão em sintonia
Se este é o planeta que temos p’ra viver
Não devíamos conviver em harmonia?
 
Fernand@maro

ADORO SER AVÓ!

Desde que sou avó
Vivo momentos de magia,
Recordo os aromas da infância,
Vivencio momentos de alegria!
 
Pela sorte sou bafejada
Ao ser avó de duas princesas
Usufruo duma vida encantada
Amo-as com imensas certezas!
 
Sou criança como a minha neta!
A esperança foi renascida,
Com ela tem sido uma festa
E a idade foi esquecida!              
 
Amor d’ avó é açucarado de ternura
É dar felicidade com doçura
É um elo de amor incondicional,
Numa ditosa missão sem igual!

                                                                                                    Fernand@maro

                  




Qual a maior conquista de Abril?!…

De acordo com João André Costa, professor há 11 anos em Inglaterra, a maior conquista obtida com a revolução de Abril foi a EDUCAÇÃO.

Educar é crescer, crescer é viver e pós 25 de Abril crescemos como pessoas, crescemos como país.

No tempo do Estado Novo a educação no seu sentido mais lato, como modo continuado de desenvolvimento das capacidades físicas, intelectuais e morais do ser humano, era somente adquirido por um grupo reduzido de pessoas, uma vez que a escolaridade, além da 4ª classe, era um privilégio exclusivo para as pessoas com possibilidades económicas.

A revolução de Abril permitiu a todos os cidadãos o acesso à escolaridade. Ao longo deste 45 anos fizeram-se grandes progressos na educação, no ensino, na escola, mas também houve iguais retrocessos com insistentes ataques aos professores e à escola pública, com o crescente descrédito e desrespeito da classe docente cada vez mais envelhecida.

Mas não vamos desistir, pelo que  cito João André Costa: “Sem educação não há liberdade. Sem educação não há resistência. Sem educação não há Abril, só esquecimento e um povo embrutecido entre a praia, futebol e centros comerciais.

Por isso continuamos a lutar e a repetir, ano após ano, antes do 25 de Abril, durante o 25 de Abril e depois do 25 de Abril, viva a liberdade, 25 de Abril sempre!”

DA MINHA JANELA VEJO A MINHA RUA

Da minha janela vejo a minha rua. Chamo-me Íris e, tal como disse, da minha janela vejo a minha rua.

Sei que o meu nome advém da mitologia grega e significa “mensageira pela palavra” ou “arco-íris”. Íris era uma deusa mensageira dos outros deuses e revelava-se como um arco-íris colorido no céu, personificando a união entre o Céu e a Terra.

 Sem dúvida que o meu nome se adequa muito bem à minha pessoa, pois gosto muito de falar, de trocar ideias, mas mais de que tudo de escutar e de observar.

A minha rua chama-se a Rua dos Sorrisos e aqui toda a gente sorri. Muitas meninas da minha idade, quando acordam, vão ver televisão mas eu não, eu vou para a minha janela. Olho através da vidraça a apreciar todo o alvoroço que ocorre na minha rua.

            Acordo por volta das 8h com um meigo sorriso na boca. Vou para a casa de banho faço a minha higiene, lavo a minha suave cara, penteio os meus curtos cabelos e escovo os meus brancos dentes e vou para a janela.

Lá fora ainda não há grande algazarra. Sabem, a minha rua à tarde parece um circo, mas de manhã é uma rua normal. Tudo está calmo! Não se ouvem nem risos, nem carros, nem pessoas. Estão todos a dormir. De repente, a rua começa a acordar. Os candeeiros, que passaram toda a noite acordados, começam a “ desligar as luzes”, o relógio na torre da igreja começa a acordar toda a gente cantando e agradecendo a beleza da manhã.

As pessoas começam a surgir. Primeiro é a padeira que deixa o pão branco e fofo, que eu tanto gosto, em sacos pendurados nos ferrolhos das portas. Sempre que passa pela minha janela pergunta se eu não devia estar na escola mas eu, todos os dias respondo a mesma coisa:

– Senhora padeira, não há escola, estou de férias!

 Ela é muito esquecida! Mas não o devia ser… É baixinha e tem uma grande cabeça. Tem uma cara rosada e uns lindos olhos negros, mas o que mete graça é a “regueifa” a que ela chama nariz! E não é das pequenas!

Depois vem o carteiro. Ele é alto, magro e esverdeado. Mas eu gosto dele, pois traz a carta da reforma da minha avó! Pressinto que está a chegar pelo ladrar da minha cadela. Laica, é a minha cadela de raça Cocker Spaniel. Ela odeia a mota do Sr. Carteiro. Será que o barulho que ela faz perturba os seus sensíveis tímpanos? Eu sei que a audição dos cães é extremamente desenvolvida. Eles são capazes, de localizar com exatidão a direção da origem do som. Conseguem ouvir o mesmo som a uma distância quatro vezes maior do que um humano é capaz de ouvir.

De seguida chega a minha avó. Os meus pais saem muito cedo e eu fico sozinha. Mas eu não tenho medo, a Laica protege-me!

A minha avó chama-se Judite, mas eu trato-a por vovó Juju! Tomo o pequeno-almoço, vou ver um pouco de televisão e ajudo a minha avó a fazer o almoço. Hoje o almoço foi um regalo para os meus berlindes castanhos ou seja, para os meus olhos que são pequenos e brilhantes. Comi esparguete com almôndegas.

Depois voltei para a janela. Vi as meninas mais velhas que vão passear até ao parque que há junto ao rio, onde, por vezes, eu vou com a avó Juju no final da tarde. Elas dão-me um sorriso e eu retribuo-o com outro.

Depois vem o senhor Patolas. O nome assenta-lhe que nem uma luva. Tem uns pés de pato! Ele está a passear o Rio, aquele cachorrinho de olhos profundos e cabeça grande. Rio é um cão de raça Chow Chow, que a combina da nobreza de um leão, com a fofura de um panda e o encanto de um urso. Tem, ainda, a graça e a independência de um gato e a lealdade e devoção de um cão. 

Finalmente, chega a hora de ponta. A rua parece um circo de pessoas de raças diferentes! Ora passam, muito apressadas, as senhoras da convenção Maria, onde todas elas se chamam Maria, com os seus longos vestidos estilo séc. XIX, ora passa o presidente Amável, que é todo amabilidades, a dar beijinhos e abraços a toda a gente para ver se ganha as eleições.

Passam pessoas para o trabalho, passam pessoas para o autocarro, passam pessoas para o comboio, passam pessoas para passear e passam pessoas para os cafés. Passam pessoas para todo o lado, mas só eu, uma menina de 7 anos, com pouco de altura e muito de reguila, posso apreciar a beleza, não da pressa, mas sim das pessoas que todos os dias passam sem apreciarem a mais bela rua do mundo, que eu tenho a sorte de a admirar da minha janela – a Rua dos Sorrisos.

Fernand@maro

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