História & Estórias

Archive for the ‘Contos / Lendas / Fábulas’ Category

ESPERANÇA RENASCIDA

Ao navegar pelo imenso mar da Internet encontrei este ternurento texto, que me atiçou alguma inquietude, no sentido que retrata a vivência triste e solitária de muitos dos nossos idosos. Este relato, verdadeiro ou fictício, é a imagem fria e crua da sociedade atual, uma sociedade que abandona os suas pessoas mais sábias e atira-as para a solidão.

“Depois de muitos anos sozinho, mesmo sendo pai de dois filhos e avô de alguns netos, o velho homem cansado decidiu não mais viver.
Arrumou toda a casa como de costume, colocou sua melhor roupa, fez uma longa carta de despedida que cuidadosamente colocou perto das fotografias de seus filhos e netos, e saiu.
Chorando entrou no ônibus com destino ao antigo viaduto, o mesmo que muitas vezes foi o cenário dos momentos felizes que passou junto com sua já falecida esposa, local bonito que costumavam passear, seria o palco da despedida definitiva de sua vida triste e solitária.
Quando se preparava para saltar do viaduto, buscando de forma ilusória um fim da solidão e da saudade; eis que houve um miado sofrido de um ser verdadeiramente abandonado.
Fingiu o velho não ouvir, e ao tentar insistir com aquele covarde ato de desespero, o miado se fez mais agudo, parecia falar com ele, pedir socorro.
Então contrariado mexeu na lixeira, e lá estava à resposta do Criador, na forma de um gatinho, para a cura da sua dor. 
Em lágrimas e um tanto envergonhado viu que aquele pequeno lutava para viver, tentando escalar a lixeira, e ele um burro velho, como costumava pensar sobre si, pensando em morrer.
Agarrou o pequeno peludo, e fez o caminho de volta para casa, precisava alimentar aquela criaturinha.
Porém estava diferente, carregava além de um sorriso verdadeiro no velho rosto, uma vida a mais para cuidar, uma razão para continuar a viver, uma motivação para acordar todas as manhãs.
E nítida era a felicidade no ônibus de um velho homem que acabara de renascer pelas patas de um filho peludo.”

Autor desconhecido

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DA MINHA JANELA VEJO A MINHA RUA

Da minha janela vejo a minha rua. Chamo-me Íris e, tal como disse, da minha janela vejo a minha rua.

Sei que o meu nome advém da mitologia grega e significa “mensageira pela palavra” ou “arco-íris”. Íris era uma deusa mensageira dos outros deuses e revelava-se como um arco-íris colorido no céu, personificando a união entre o Céu e a Terra.

 Sem dúvida que o meu nome se adequa muito bem à minha pessoa, pois gosto muito de falar, de trocar ideias, mas mais de que tudo de escutar e de observar.

A minha rua chama-se a Rua dos Sorrisos e aqui toda a gente sorri. Muitas meninas da minha idade, quando acordam, vão ver televisão mas eu não, eu vou para a minha janela. Olho através da vidraça a apreciar todo o alvoroço que ocorre na minha rua.

            Acordo por volta das 8h com um meigo sorriso na boca. Vou para a casa de banho faço a minha higiene, lavo a minha suave cara, penteio os meus curtos cabelos e escovo os meus brancos dentes e vou para a janela.

Lá fora ainda não há grande algazarra. Sabem, a minha rua à tarde parece um circo, mas de manhã é uma rua normal. Tudo está calmo! Não se ouvem nem risos, nem carros, nem pessoas. Estão todos a dormir. De repente, a rua começa a acordar. Os candeeiros, que passaram toda a noite acordados, começam a “ desligar as luzes”, o relógio na torre da igreja começa a acordar toda a gente cantando e agradecendo a beleza da manhã.

As pessoas começam a surgir. Primeiro é a padeira que deixa o pão branco e fofo, que eu tanto gosto, em sacos pendurados nos ferrolhos das portas. Sempre que passa pela minha janela pergunta se eu não devia estar na escola mas eu, todos os dias respondo a mesma coisa:

– Senhora padeira, não há escola, estou de férias!

 Ela é muito esquecida! Mas não o devia ser… É baixinha e tem uma grande cabeça. Tem uma cara rosada e uns lindos olhos negros, mas o que mete graça é a “regueifa” a que ela chama nariz! E não é das pequenas!

Depois vem o carteiro. Ele é alto, magro e esverdeado. Mas eu gosto dele, pois traz a carta da reforma da minha avó! Pressinto que está a chegar pelo ladrar da minha cadela. Laica, é a minha cadela de raça Cocker Spaniel. Ela odeia a mota do Sr. Carteiro. Será que o barulho que ela faz perturba os seus sensíveis tímpanos? Eu sei que a audição dos cães é extremamente desenvolvida. Eles são capazes, de localizar com exatidão a direção da origem do som. Conseguem ouvir o mesmo som a uma distância quatro vezes maior do que um humano é capaz de ouvir.

De seguida chega a minha avó. Os meus pais saem muito cedo e eu fico sozinha. Mas eu não tenho medo, a Laica protege-me!

A minha avó chama-se Judite, mas eu trato-a por vovó Juju! Tomo o pequeno-almoço, vou ver um pouco de televisão e ajudo a minha avó a fazer o almoço. Hoje o almoço foi um regalo para os meus berlindes castanhos ou seja, para os meus olhos que são pequenos e brilhantes. Comi esparguete com almôndegas.

Depois voltei para a janela. Vi as meninas mais velhas que vão passear até ao parque que há junto ao rio, onde, por vezes, eu vou com a avó Juju no final da tarde. Elas dão-me um sorriso e eu retribuo-o com outro.

Depois vem o senhor Patolas. O nome assenta-lhe que nem uma luva. Tem uns pés de pato! Ele está a passear o Rio, aquele cachorrinho de olhos profundos e cabeça grande. Rio é um cão de raça Chow Chow, que a combina da nobreza de um leão, com a fofura de um panda e o encanto de um urso. Tem, ainda, a graça e a independência de um gato e a lealdade e devoção de um cão. 

Finalmente, chega a hora de ponta. A rua parece um circo de pessoas de raças diferentes! Ora passam, muito apressadas, as senhoras da convenção Maria, onde todas elas se chamam Maria, com os seus longos vestidos estilo séc. XIX, ora passa o presidente Amável, que é todo amabilidades, a dar beijinhos e abraços a toda a gente para ver se ganha as eleições.

Passam pessoas para o trabalho, passam pessoas para o autocarro, passam pessoas para o comboio, passam pessoas para passear e passam pessoas para os cafés. Passam pessoas para todo o lado, mas só eu, uma menina de 7 anos, com pouco de altura e muito de reguila, posso apreciar a beleza, não da pressa, mas sim das pessoas que todos os dias passam sem apreciarem a mais bela rua do mundo, que eu tenho a sorte de a admirar da minha janela – a Rua dos Sorrisos.

Fernand@maro

Mas que coisa!!!…

Esta é uma ficha de trabalho que dou frequentemente aos meus alunos para que possam desenvolver e diversificar as competências a nível vocabular.


Lê atentamente a página do diário do João, que abaixo se transcreve. Nela, o João repete com insistência as palavras “coisa” e “coisas”.

A tua tarefa será reescrever esta página, fazendo as alterações possíveis de forma a evitar tantas repetições.

despertador


“- Mas que coisa!!! Estou atrasado outra vez!!!

Visto-me a correr, e saio sem comer nada, pois a coisa das torradas estava avariada.

A viagem de minha casa até ao escritório continua a mesma coisa: trânsito muito lento, muitas buzinas, parece que toda a gente está atrasada… Mas hoje a coisa esteve pior ainda, pois, com a CP em greve, toda a gente tirou o carro da garagem. Mas greve é coisa que não se discute.

Depois de 45 minutos, cheguei enfim ao escritório!

Entro discretamente, pouso as coisas na secretária, mas logo o chefe aproxima-se e diz:

– João, outra vez a mesma coisa? Não há maneira de chegares a horas! Ao menos se não deixasses amontoar tanta coisa na tua secretária! E não me venhas com coisas outra vez! Daqui para a frente as coisas têm que mudar radicalmente neste escritório. Ou és pontual, ou serás demitido.

Enquanto ouvia o discurso de sempre passaram-me umas coisas pela cabeça, mas resolvi ficar calado e não dizer nada… A coisa, hoje, está complicada para quem anda à procura de emprego!…

Agora chega de escrever nesta coisa. O dia chegou ao fim e, se Deus quiser, amanhã a coisa será diferente.”

UM SONHO BELO! – CONTO DO VERDE E DO AZUL

“Era uma vez ”, é como começam a maioria das estórias mas, a minha não começa assim, não! A minha estória é muito diferente!

Isto é no início de tudo, antes de tudo que se possa imaginar. Antes dos dragões e dos dinossauros, antes dos vulcões e até mesmo da terra. O universo era um espaço para descobrir e, os planetas eram porções de massa envolvidas em neblina, mistérios e receios.

Vou contar-vos a estória de dois planetas maravilhosos e, ao mesmo tempo muito diferentes. Esta é a história de Neptuza e Septuza.

dde5f03bafc58df6c1554ccc850544ebNeptuza era o planeta da água. Nele habitavam, não só as mais lendárias e temidas criaturas, como também as falaciosas sereias e tritões e ainda os animais e as plantas aquáticas que hoje partilham os nossos mares e nossos rios. Lá, não se vivenciava a adversidade e os seus habitantes viviam com grande satisfação. O azul de Neptuza era tal e qual a do céu e por vezes não se sabia onde começava um e acabava outro. As algas verdes tinham um movimento baloiçante que pareciam dançar à luz dos corais multicolores. Havia muitos melodiosos e agradáveis sons, mas nenhum ruído era tão agradável como aquele que muitas vezes irrompia o silêncio e o sossego daquelas paragens, o maravilhoso riso das crianças que, ali e acolá, se divertiam com os seus jogos de crianças. Como em qualquer planeta as crianças usavam sempre a imaginação para criarem lindos e divertidos jogos.

Outro planeta com tal maravilha era Septuza que era o planeta do elemento terra. Erac6c89bbb22e96fa699d4913b23ef402c aqui que se podiam achar criaturas tão maravilhosas, ultra mágicas e super fantásticas que tudo faziam para proteger e aureolizar Septuza. Em cada bela flor poder-se-ia encontrar uma bela fada-flor do tamanho de borboletas com asas que guardavam todas as cores do arco-íris e suas primas, as fadas boas que tratavam de todas as criaturas com muito amor e respeito. Nas árvores, podíamos encontrar sábios duendes que eram como livros fechados à espera de serem lidos. Existiam mais criaturas e também animais mas, aquelas cujo nome era temido eram as fadas más. Tinham sido mandadas prender nas quentes celas do núcleo onde as suas maldades seriam travadas. Septuza era como uma gigantesca esmeralda verde e brilhante pintalgada de flores de todas as cores. Com o vento, as árvores pareciam bailar ao ritmo das valsas que as fadas e todos os seres encantadores tocavam e dançavam. As crianças, corriam de um lado para o outro, livres e leves como passarinhos, ora a esconder-se nos colos das fadas, ora nos troncos ocos das árvores da floresta clara que, recebia do sol os seus raios como calorosos abraços.

Conto-vos isto como já contei a outros mais que, me acharam mentirosa ou até mesmo maluca, mas não me importo! Penso que não se devem guardar sonhos tão belos como este só para nós!

                                                                                                  Fernand@maro

O ENTRUDO DA MINHA INFÂNCIA

O Entrudo da minha Infância

Entrudo ou Carnaval!?

O Entrudo ou o Carnaval chegaram, com muita folia, alegria e diversão!

O Enterro do Entrudo, foto do grupo “Numão – Uma Glória do Passado”, do facebook.

Durante muito tempo vivi intrigada! É Entrudo ou é Carnaval!?

Até aos dez anos vivi na aldeia, onde se brincava ao Entrudo. Apesar de não ser muito foliona, recordo vagamente e com saudade alguns festejos entrudescos da minha meninice, tais como: o Enterro do Entrudo, o Julgamento e Morte do Galo e a Serrada da Velha.

Lembro-me que no Enterro do Entrudo a rapaziada percorria, em cortejo as principais ruas da aldeia, transportando numa padiola um morto fictício, que levava um bocado de carne na boca. Esta festividade continua a realizar-se.

Se não estou enganada, o galo era o culpado de todos os problemas e fracassos que havia na aldeia. Acontecia, então, o Julgamento e Morte do Galo. Num palco, a um galo capão era-lhe cortada a cabeça.

Quanto à Serrada da Velha penso ser uma declaração ruidosa, trocista e provocatória dirigida, pelos rapazes, às mulheres velhas da aldeia. Lembro-me de uma lengalenga, que penso estar associada, esta prática: “Serra a velha no cortiço, minha avó não diga isso…” e de mais não me recordo. De acordo com informação do meu conterrâneo José Augusto Fonseca a rapaziada numantina ainda lengalengava “ Ó minha avozinha/Estamos no meio da Quaresma/Sem provarmos o bacalhau/Serramos esta velha/Como quem serra um pau.” Quanto mais as velhas amaldiçoavam e praguejavam, mais eles serravam o cortiço e caçoavam. Acontecia, frequentemente, serem bafejados com algumas penicadas muito mal cheirosas, lançadas pelo janelo do postigo.

Quem não tinha máscaras cobria a cara com um pano de renda e desta forma podia brincar ao entrudo sem ser reconhecido.

Quando fui para a cidade passei a ouvir falar de Carnaval. Aqui, é importante referir, que no tempo da minha meninice não havia tanta divulgação da informação, não só devido à proibição da ditadura do Estado Novo, como também pela escassez dos órgãos de comunicação. Somente havia dois canais de televisão RTP1 e RTP2, que como os jornais, rádios e todos os outros meios de informação e comunicação eram censurados. Cheguei, então, à conclusão que Carnaval e Entrudo são palavras sinónimas que indicam o período de três dias de festejos que antecedem o início da Quaresma.

O termo Carnaval, sempre mais utilizado nos meios urbanos, provém do latim e significa o que designaria o «adeus à carne».

A palavra Entrudo, usada mais nas zonas rurais, deriva do latim “introitu“, que significa “entrada, acesso, introdução, começo…”.

Sendo assim, os festejos do Entrudo correspondem às festividades do Carnaval, período de folguedos, de euforia e de sátira social, em que se come carne em abundância, prevendo a abstinência da Quaresma.

No nosso país, uma das primeiras alusões ao Entrudo, encontra-se datada de 1252, no reinado de D. Afonso III, não precisamente relacionado com os festejos carnavalescos, mas com solenidades do calendário religioso.

Carnaval ou Entrudo, o importante é a diversão, afinal lá diz o provérbio:

Esta vida são dois dias, e o Carnaval são três”!

O PROBLEMA DE TENTAR AGRADAR A TODOS

O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar.

Fernando Pessoa

O HOMEM, SEU FILHO E O BURRO

Um homem ia com o filho levar um burro para vender no mercado.
– O que você tem na cabeça para levar um burro estrada afora sem nada no lombo enquanto você se cansa? – disse um homem que passou por eles.
Ouvindo aquilo, o homem montou o filho no burro, e os três continuaram seu caminho
– Ô rapazinho preguiçoso, que vergonha deixar o seu pobre pai, um velho andar a pé enquanto vai montado! – disse outro homem com quem cruzaram.
O homem tirou o filho de cima do burro e montou ele mesmo. Passaram duas mulheres e uma disse para a outra:
– Olhe só que sujeito egoísta! Vai no burro e o filhinho a pé, coitado…
Ouvindo aquilo, o homem fez o menino montar no burro na frente dele. O primeiro viajante que apareceu na estrada perguntou ao homem:
– Esse burro é seu?
O homem disse que sim. O outro continuou:
– Pois não parece, pelo jeito como o senhor trata o bicho. Ora, o senhor é que devia carregar o burro em lugar de fazer com que ele carregasse duas pessoas.
Na mesma hora o homem amarrou as pernas do burro num pau, e lá se foram pai e filho aos tropeções carregando o animal para o mercado. Quando chegaram, todo mundo riu tanto que o homem, enfurecido, jogou o burro no rio, pegou o filho pelo braço e voltou para casa.
Moral: Quem quer agradar todo mundo no fim não agrada ninguém.

 

Fábulas de Esopo

 

A FÁBULA DOS FEIJÕES CINZENTOS

A Fábula dos Feijões Cinzentos 

25 de Abril como quem conta um conto, de José Vaz.capa-do-livro-a-fabula-dos-feijoes-cinzentos

«Em tempos que já lá vão, existiu um reino chamado “Jardim-à-Beira-Mar-Plantado.”» – assim começa a fábula que, segundo o seu autor José Vaz é sobre a revolução de abril…

Três feijões tomaram conta do reino do “Jardim-à-Beira-Mar-Plantado”, roubando aos que ali viviam: o sol, a água e o ar. Reprimiram o povo, mandaram jovens para a guerra onde acabaram por morrer muitos feijões. Houve protestos, reuniões e expulsão dos opressores. A desgraça acabou e passou a haver sol, ar e água para todos. Os feijões cinzentos voltaram a ter as suas cores e no reino vegetal apareceu a PRIMAVERA.

VÊ O POWERPOINT SOBRE A FÁBULA E CLICA A_fabula_dos_feijoes_cinzentos_25abril1

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