História & Estórias

Archive for the ‘Contos / Lendas / Fábulas’ Category

O PROBLEMA DE TENTAR AGRADAR A TODOS

O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar.

Fernando Pessoa

O HOMEM, SEU FILHO E O BURRO

Um homem ia com o filho levar um burro para vender no mercado.
– O que você tem na cabeça para levar um burro estrada afora sem nada no lombo enquanto você se cansa? – disse um homem que passou por eles.
Ouvindo aquilo, o homem montou o filho no burro, e os três continuaram seu caminho
– Ô rapazinho preguiçoso, que vergonha deixar o seu pobre pai, um velho andar a pé enquanto vai montado! – disse outro homem com quem cruzaram.
O homem tirou o filho de cima do burro e montou ele mesmo. Passaram duas mulheres e uma disse para a outra:
– Olhe só que sujeito egoísta! Vai no burro e o filhinho a pé, coitado…
Ouvindo aquilo, o homem fez o menino montar no burro na frente dele. O primeiro viajante que apareceu na estrada perguntou ao homem:
– Esse burro é seu?
O homem disse que sim. O outro continuou:
– Pois não parece, pelo jeito como o senhor trata o bicho. Ora, o senhor é que devia carregar o burro em lugar de fazer com que ele carregasse duas pessoas.
Na mesma hora o homem amarrou as pernas do burro num pau, e lá se foram pai e filho aos tropeções carregando o animal para o mercado. Quando chegaram, todo mundo riu tanto que o homem, enfurecido, jogou o burro no rio, pegou o filho pelo braço e voltou para casa.
Moral: Quem quer agradar todo mundo no fim não agrada ninguém.

 

Fábulas de Esopo

 

A FÁBULA DOS FEIJÕES CINZENTOS

A Fábula dos Feijões Cinzentos 

25 de Abril como quem conta um conto, de José Vaz.capa-do-livro-a-fabula-dos-feijoes-cinzentos

«Em tempos que já lá vão, existiu um reino chamado “Jardim-à-Beira-Mar-Plantado.”» – assim começa a fábula que, segundo o seu autor José Vaz é sobre a revolução de abril…

Três feijões tomaram conta do reino do “Jardim-à-Beira-Mar-Plantado”, roubando aos que ali viviam: o sol, a água e o ar. Reprimiram o povo, mandaram jovens para a guerra onde acabaram por morrer muitos feijões. Houve protestos, reuniões e expulsão dos opressores. A desgraça acabou e passou a haver sol, ar e água para todos. Os feijões cinzentos voltaram a ter as suas cores e no reino vegetal apareceu a PRIMAVERA.

VÊ O POWERPOINT SOBRE A FÁBULA E CLICA A_fabula_dos_feijoes_cinzentos_25abril1

HISTÓRIA ANTIGA

HISTÓRIA ANTIGA

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.imagesCA5OPUQY

Feio bicho, de resto:

Uma cara de burro sem cabresto

E duas grandes tranças.

A gente olhava, reparava e via

Que naquela figura não havia

Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.

Porque um dia,

O malvado,

Só por ter o poder de quem é rei

Por não ter coração,

Sem mais nem menos,

Mandou matar quantos eram pequenos

Nas cidades e aldeias da nação.

Mas, por acaso ou milagre, aconteceu

Que, num burrinho pela areia fora,

Fugiu

Daquelas mãos de sangue um pequenito

Que o vivo sol da vida acarinhou;

E bastou

Esse palmo de sonho

Para encher este mundo de alegria;

Para crescer, ser Deus;

E meter no inferno o tal das tranças,

Só porque ele não gostava de crianças.

                                                                Miguel Torga Antologia Poética Coimbra, Ed. do Autor, 1981

Só se Cura o Mundo se o Homem se Emendar

Para consertar o mundo, conserte primeiro o homem

Um diretor de jornal mandou que seu melhor jornalista escrevesse uma matéria sobre como consertar o mundo. Deu-lhe três dias de folga para refletir.
Ao chegar em casa, o jornalista disse à mulher que tinha três dias de folga e aproveitou para passear. Como era bom na sua atividade, não se preocupou e deixou o texto para a última hora.
No primeiro dia, ele foi para a casa de campo; no segundo, para a praia; no terceiro, ficou com a família descansando em casa. Ao final da tarde, dirigiu-se para o seu escritório, em sua própria casa, pegou um mapa do mundo que estava guardado, estendeu-o sobre a mesa e ficou buscando inspiração para a matéria.
Depois de muito rascunho jogado no lixo, eis que seu filhinho entra na sala com um gafanhoto na mão, passando a perturbar o pai para que escrevesse algo a respeito daquele bichinho. Já de cabeça quente e furioso, o pai, pegou o mapa, rasgou-o em vários pedaços, deu na mão do garoto e disse:
– Assim que você montar novamente este mapa, escreverei algo a respeito do bichinho…
O garoto saiu, e não demorou quinze minutos estava de volta com o mapa completamente restaurado. Espantado, o pai exclamou:
– Filho! Como você pôde, em tão pouco tempo, montar este mapa?
E o garoto explicou:
– Pai, é que o senhor não percebeu que atrás do mapa havia o desenho de um homem. Eu consertei o homem e acabei consertando o mundo!
E depois disso o jornalista não teve mais dúvidas de como solucionar o seu problema.

Outra versão desta estória:

A Maior Flor do Mundo – José Saramago

E se as histórias para crianças passassem a ser leitura obrigatória para adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?
José Saramago

O COELHINHO QUE NÃO ERA DA PÁSCOA

A todos os amigos, sim, porque são amigos todos aqueles que me visitam, votos de uma santa e feliz PÁSCOA.

Clica para leres a história Coelho-que-não-era-da-Páscoa

Para termos direitos, temos que cumprir deveres

Os Três ratos Cegos
Num belo dia, três ratinhos estavam dançando de tanta alegria, pois não trabalhavam, e passavam o dia inteiro brincando no reino.
Mas certo dia, o rei estava comentando com o duque que o reino estava entrando em falência. Depois de passarem horas e horas pensando, o duque teve uma idéia ótima: de toda a Ratolândia trabalhar, menos os que têm necessidades especiais. O rei amou a idéia do duque, e disse:
– É isso mesmo que eu vou fazer.
Assim, o rei chamou todos os cidadãos de Ratolândia e declarou o seguinte:
– Cidadãos de Ratolândia, eu declaro que todos vão trabalhar menos os que têm necessidades especiais.
Os três ratinhos ficaram com muita raiva, pois tinham que trabalhar para poder comer, então o irmão mais velho teve uma idéia: iam fingir que estavam cegos, e assim não trabalhariam e comeriam de graça. Mais tarde, os ratinhos foram até o rei, este sabendo que eles eram cegos, declarou que não iriam trabalhar. Os ratinhos muito felizes foram caminhando pelo reino, mas sem querer saíram pela porta errada, pois era a saída do reino. Lá fora, tinha um gato muito feroz que pulou em cima deles, então os ratinhos tiraram os óculos escuros, começaram a lutar com o gato, depois correram desesperados para o reino.
Eles conseguiram voltar para o reino, mas o rei percebeu que eles não eram cegos, dessa forma ele ordenou que eles teriam que trabalhar dobrado para pagar os atrasados, e assim foi.

MORAL: Para termos direitos, temos que cumprir deveres

Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias – Agatha Christie