História & Estórias

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Sentir…

Sentir…

Sinto a brisa aconchegante11742682_10200795605130090_5764559443698134989_n embalar-me nos seus braços de ternura

Sinto o meu pensamento voar para além do infinito

Sinto, penso, sonho

Sinto logo vivo!

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Ser professor

É ensinar, é partilhar,

É apoiar e formar,

E sempre acreditar!

Ser professor

É compreender, é aprender,

É refletir e construir

E nunca desistir!

Ser professor

É viver, é sonhar,

É fazer e inspirar

Ser capaz de encantar!

Ser professor

É ter vocação,

É ser protetor

É agir com coração!

Fernand@maro

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Aprender a estudar

Estudar é muito importante,
mas pode-se estudar de várias maneiras…

Muitas vezes estudar não é só aprender o que vem nos livros.

Estudar não é só ler nos livros que há nas escolas.
É também aprender a ser livres, sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante,
às vezes, urgente.
Mas os livros não são o bastante para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever,
mas também a viver,
mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer,
aprender a estudar.

Aprender a crescer quer dizer:
aprender a estudar,
a conhecer os outros,
a ajudar os outros,
a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros
aprende sempre a viver bem consigo próprio.

Não merecer um castigo é estudar.

Estar contente consigo é estudar.

Aprender a terra,
aprender o trigo
e ter um amigo
também é estudar.

Estudar também é repartir,
também é saber dar o que a gente souber dividir
para multiplicar.

Estudar é escrever um ditado
sem ninguém nos ditar;
e se um erro nos for apontado
é sabê-lo emendar.

É preciso, em vez de um tinteiro,
ter uma cabeça que saiba pensar, pois,
na escola da vida, primeiro está saber estudar.

Contar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta que se pode fazer.

Dizer apenas música, quando se ouve um pássaro,
pode ser a mais bela redação do mundo…

Estudar é muito,  mas pensar é tudo!

Ary dos Santos (1937-1984)

Liberdade

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Liberdade     CLICA AQUI

Ai que prazer
Não cumprir um dever,

Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doura sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa.

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

Fernando Pessoa

A Fábula dos Feijões Cinzentos 

25 de Abril como quem conta um conto, de José Vaz.capa-do-livro-a-fabula-dos-feijoes-cinzentos

«Em tempos que já lá vão, existiu um reino chamado “Jardim-à-Beira-Mar-Plantado.”» – assim começa a fábula que, segundo o seu autor José Vaz é sobre a revolução de abril…

Três feijões tomaram conta do reino do “Jardim-à-Beira-Mar-Plantado”, roubando aos que ali viviam: o sol, a água e o ar. Reprimiram o povo, mandaram jovens para a guerra onde acabaram por morrer muitos feijões. Houve protestos, reuniões e expulsão dos opressores. A desgraça acabou e passou a haver sol, ar e água para todos. Os feijões cinzentos voltaram a ter as suas cores e no reino vegetal apareceu a PRIMAVERA.

VÊ O POWERPOINT SOBRE A FÁBULA E CLICA A_fabula_dos_feijoes_cinzentos_25abril1

ABRIL

ABRIL

Havia uma lua de prata e sangueE_preciso_salvar_Abril_Henrique_Matos

em cada mão.

Era Abril.

Havia um vento

que empurrava o nosso olhar

e um momento de água clara a escorrer

pelo rosto das mães cansadas.

Era Abril

que descia aos tropeções

pelas ladeiras da cidade.

Abril

tingindo de perfume os hospitais

e colando um verso branco em cada farda.

Era Abril

o mês imprescindível que trazia

um sonho de bagos de romã

e o ar

a saber a framboesas.

Abril

um mês de flores concretas

colocadas na espoleta do desejo

flores pesadas de seiva e cânticos azuis

um mês de flores

um mês.

Havia barcos a voltar

de parte nenhuma

em Abril

e homens que escavavam a terra

em busca da vertical.

Ardiam as palavras

Nesse mês

e foram vistos

dicionários a voar

e mulheres que se despiam abraçando

a pele das oliveiras.

Era Abril que veio e que partiu.

Abril

a deixar sementes prateadas

germinando longamente

no olhar dos meninos por haver.

                                                                                   José Fanha