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DOURO CENÁRIO DE CONTRASTES


É cenário de contrastes
Este sublime Douro
Com paisagem fascinante
Com rio d’águas d’ouro
De uma fúria inconstante
 
Quadro pelo homem pintado
Douro por deuses traçado
Homem e natureza talharam
Esta extraordinária região
Beleza de cortar a respiração!
 
Nas encostas escarpadas
Trabalhadas com fervor
Nascem pinturas adocicadas,
Brota o suco dos deuses
Fecundado com amor.
 
Deste Douro deslumbrante
Multifacetado na cor
Pinga o verde primaveril
O vermelho estival
E o amarelo outonal
 
Goteja a seiva da vida
Dos obreiros dos socalcos
Que de muito labutar
Com suas mãos calejadas
Acolhem o néctar singular
 
De vinhedos a ondear
Rio vigoroso a bradar
És terra bravia e delicada
Ansiosa por gerar
Gente afável e arrojada!
 
Com curvas e contracurvas    
Corre entre vales e serras
Douro perspicaz, generoso
Resiliente e brioso
Em nutrir distintas terras!
 
Rio Douro
De águas d’ouro!

Fernand@maro

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Da Minha Janela Eu Vejo…

DouroÉ manhã e o dia acordou alegre e calmo, só perturbado pelo harmonioso bailado da ramagem dos choupos e plátanos a dançarem uma valsa austríaca. É uma manhã estival e o sol gargalhando espreguiça os seus raios beijando tudo à sua volta.

Da minha janela eu vejo um rio, o chamado rio Douro. O rio Douro chama-se assim devido ao sol, que quando se reflecte nele, o rio parece banhado d’ouro. É Douro, porque transforma em ouro os campos e as culturas das suas margens, que dão suculentos e aprazíveis frutos e o famosíssimo Vinho do Porto, o ex-líbris de Portugal no Mundo.

Que sublime postal é o Douro com os seus socalcos pintados de vermelho, amarelo, laranja e castanho, quando o Outono nos visita e as vinhas começam a despir-se dos tons verdes que as aconchegaram, enquanto os homens gota a gota esgotaram o seu suor, para que as conseguissem lavrar, cavar, enxofrar, sulfatar e por fim colher as sumarentas uvas que darão o suco dos deuses.

Sinto na minha boca o estalar agradável do Dedo de Dama, da Cardinal e da Mourisca, o travo suave da Malvasia e doce acentuado do Moscatel, uvas de mesa que se penduram para que cheguem até ao Natal.

Visualizo as mulheres curvadas a cortarem os cachos maduros e a colocarem-nos com cuidados nos cestos, para depois serem transportados pelos homens para os lagares. Ouço os cantares das mulheres “Fui ao Douro às vindimas, não achei que vindimar, vindimaram-me as costelas, olha o que lá fui ganhar!” e as risadas das crianças que, também, colaboravam nesta árdua labuta. Vejo o fervilhar alegre dos vindimadores, sinto o aroma das uvas maduras e ouço o zumbido das abelhas a esvoaçarem constantemente sobre os cabanos.

Da minha janela eu vejo um barco a deslizar suavemente na estrada aquática que é o Douro, desde Barca de Alva até à Foz, onde o rio é devorado pela bocarra esfomeada do oceano.

Mas nem sempre o Douro é calmo e pacífico. Nos dias chuvosos do Outono e do Inverno o Douro grita a sua tristeza e as suas águas agitadas batem nas margens, inundam culturas e casarios e arrastam tudo o que lhe faz frente. Ele manifesta a sua rebeldia, vociferando, barafustando e estrebuchando para chamar a tenção pelos maus-tratos que tem sofrido.

O rio Douro nem sempre é d’ouro, pois as suas águas puras, límpidas e cristalinas por vezes ficam doentes, sujas e poluídas. O Homem, que se julga dono e senhor do planeta, tudo tem feito para manchar a paisagem verdejante, para secar a cascata cintilante, para sujar o jardim deslumbrante e alimentar a guerra, esquecendo a paz que devia haver na minha Terra. Uma Terra onde o arco-íris brilhe e vá beber a água ao rio d’ouro e irradie as suas sete cores sobre o céu claro e azul.

Fernand@maro

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