História & Estórias

Archive for the ‘Amigos’ Category

AH, QUE SAUDADES!

Ah, que saudade

Ah, esta contraproducente tristeza que chega de mansinho, sem avisar e sem hora marcada! Entra sem ser convidada, instala-se e teima em ficar.

Num piscar de olhos, sou tocada por uma melancolia repleta de lembranças, de alegrias, mas também de lágrimas, de silêncios, mas também de sons, de sabores e de aromas. Sinto o coração apertado e sinto-me envolvida pela poeira do tempo. Sou abraçada pelos raios do passado, o presente desvanece-se e sou projetada no tempo e no espaço.

Por vezes tenho saudade das pessoas queridas que já partiram. Outras vezes tenho vontade de recuar no tempo para determinado momento, ser transportada para um lugar ou para uma época.

Ah, que saudades do colo da minha mãe! Ah, que saudades dos ralhetes do meu pai!

Tenho saudades de uma alegre cavaqueira à volta da fogueira, do calor fraterno nas noites de inverno!

Sinto falta do amigo que partiu, saudade das suas risadas, da delicadeza das suas palavras, das suas brincadeiras, saudade da amizade que ficará na lembrança.

Ah, que saudades…

OS MEUS DESEJOS!…

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fogo_artificio“Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.”

Fernando Pessoa

FELIZ 2012!

Amigos e uma Desilusão

Há dois anos escrevi este desabafo que está perfeitamente actual. Tal como nessa altura sinto-me defraudada e usada, como um pano gasto que por tanto ter trabalhado fica um farrapo e é deitado fora ou então continua a ser corroído até ser transformado em simples fios. Está na altura de dizer basta e de aprender a viver a minha vida, em função dos me são queridos e me valorizam.
É esta a minha meta!

Aqui vai a transcrição do texto escrito e publicado, aqui, em 30/07/2009:

Estou só e triste!
Sinto-me desiludida, incompreendida e incapaz de acreditar e de sonhar!
Estou decepcionada com aqueles que muito estimo!
Sinto as minhas asas dilaceradas, incapazes de me levarem ao mundo dos sonhos, da fantasia, da imaginação, onde tudo é belo, onde existe a paz, a alegria, a compreensão… Contudo, ainda, acredito que “Sobre as asas do tempo, a tristeza vai-se embora” (La Fontaine). Sim, o tempo pode não apagar a dor, mas ameniza-a.
Estou no meu quarto triste e só. Só com as minhas mágoas, só com as minhas angústias, sozinha com as minhas decepções.
Estou no meu quarto, olho à volta. O meu olhar converge para minha janela.
Da minha janela eu vejo o terraço e o jardim, onde a leve brisa dança com o sol seguindo o andamento dos pardais, pintassilgos e andorinhas que tocam uma afinada melodia de alegria neste radioso e lindo dia.
Da minha janela eu vejo a calçada, onde um pardalinho come as migalhas de pão sacudidas após o almoço e, recordo o primeiro voo de um seu irmão, que após ter aterrado, teve dificuldade em retomar a árdua tarefa, bem como o chilrear constante e aflitivo da sua mãe, enquanto ele teimava em retomar o voo.
Posso ver da minha janela o lusco-fusco como uma aguarela pincelada de vermelhos e laranjas e o manto da noite bordado com cintilantes diamantes a brilharem nesse imenso e misterioso infinito.
Da minha janela vejo…

Encontrei na net este texto que faz um retrato fiel dos meus sentimentos.

Amigos e uma desilusão
“Mais um ano termina.
Muitas vidas se vão com ele …
Outros tantos nasceram … vão conhecer um mundo sangrento,
com a natureza gritando por cuidados, calor excessivo, chuvas intensas destruidoras, terremotos, tisunamis .
Tantas vidas se foram pela violência urbana, balas perdidas encontradas em crianças, casas blindadas, casas perfuradas .
Foi um bom ano.
Foi um bom ano ?
Este ano aprendi uma lição triste, achei que fosse conseguir me safar dessa aula bárbara :
– ” Pense mais em você ! ”
– ” Se não pode resolver os problemas de todo fique distante ”
Vi o egoísmo de alguns, a solidariedade de outros.
Vi as rajadas de balas irem de encontro dos corpos frágeis.
Mas vi também meu mundo rosa sorrir, e minha vida encantar com o sorriso do homem que amo …
Ganhei mais perfumes do que possa ser capaz de usar, e meu mundo cheira a talco.
Ainda assim tenho que ser fria.
Ainda assim, se me abro em sorrisos me fazem chorar, alguns …
Acho que é sorte poder sentir a energia dos outros.
Mas não consigo mais fingir que a energia ruim é boa … aprendi a soltar os cachorros – os meus Clara e Lisiêux são mansas.
Clara é independente, já dorme fora de casa, seu amiguinho de pelúcia ficou pra trás, tal qual a chupeta do nenem que fica esquecida na lata do lixo.
Lisiêux ainda não vigia nada, ainda corre de estranhos e eu tenho que proteger a cachorrada .
Mas meu mundo é azul.
Cresci comendo cerejas ” in natura” e encerro o ano comendo cerejas .
Agradeço à Deus, sei que sou uma mulher de sorte.
Tantos sem nada, tantas crianças sem vida … e a bala perdida que não é de chocolate !
Gosto de textos assim fragmentados, as idéias surgem como se fossem flocos de gelo, nos esfriam por completo, por dentro !
Hoje segunda -feira, dia 31 de dezembro, a minha meta é pensar mais em mim.
Não estou sorrindo agora. E você que me acompanha sempre me lê por aqui cheia de sorrisos ( rrss).
Nem sei se vou conseguir cumprir essa meta, mas ela terá prioridade ao regime.
Arrumei todas as gavetas, só deixei uma para hoje, a gaveta dos sonhos, e das ilusões. Mexi, remexi e descobri que amigos também são egoístas.
Alguém me magoou.
Um outro amigo disse: – Pense em você, senão eles passam por cima.
– Eu disse : Já passaram
– Ele responde: Já sim !
Chorei tudo o que podia, senti muita raiva de mim, mas acordei com a certeza de que o mundo rosa vai ficar assim … vou cuidar mais de mim !
Feliz Ano Novo para você !
Paz, solidariedade, fraternidade, e amor.
Lembre-se : Quem ama não é egoísta, pensa primeiro no outro.
Mas eu juro que vou aprender.
É minha meta”
.
Syl Signoretti