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Aprender a estudar

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Aprender a estudar

Estudar é muito importante,
mas pode-se estudar de várias maneiras…

Muitas vezes estudar não é só aprender o que vem nos livros.

Estudar não é só ler nos livros que há nas escolas.
É também aprender a ser livres, sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante,
às vezes, urgente.
Mas os livros não são o bastante para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever,
mas também a viver,
mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer,
aprender a estudar.

Aprender a crescer quer dizer:
aprender a estudar,
a conhecer os outros,
a ajudar os outros,
a viver com os outros.
E quem aprende a viver com os outros
aprende sempre a viver bem consigo próprio.

Não merecer um castigo é estudar.

Estar contente consigo é estudar.

Aprender a terra,
aprender o trigo
e ter um amigo
também é estudar.

Estudar também é repartir,
também é saber dar o que a gente souber dividir
para multiplicar.

Estudar é escrever um ditado
sem ninguém nos ditar;
e se um erro nos for apontado
é sabê-lo emendar.

É preciso, em vez de um tinteiro,
ter uma cabeça que saiba pensar, pois,
na escola da vida, primeiro está saber estudar.

Contar todas as papoilas de um trigal
é a mais linda conta que se pode fazer.

Dizer apenas música, quando se ouve um pássaro,
pode ser a mais bela redação do mundo…

Estudar é muito,  mas pensar é tudo!

Ary dos Santos (1937-1984)

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A FÁBULA DOS FEIJÕES CINZENTOS

A Fábula dos Feijões Cinzentos 

25 de Abril como quem conta um conto, de José Vaz.capa-do-livro-a-fabula-dos-feijoes-cinzentos

«Em tempos que já lá vão, existiu um reino chamado “Jardim-à-Beira-Mar-Plantado.”» – assim começa a fábula que, segundo o seu autor José Vaz é sobre a revolução de abril…

Três feijões tomaram conta do reino do “Jardim-à-Beira-Mar-Plantado”, roubando aos que ali viviam: o sol, a água e o ar. Reprimiram o povo, mandaram jovens para a guerra onde acabaram por morrer muitos feijões. Houve protestos, reuniões e expulsão dos opressores. A desgraça acabou e passou a haver sol, ar e água para todos. Os feijões cinzentos voltaram a ter as suas cores e no reino vegetal apareceu a PRIMAVERA.

VÊ O POWERPOINT SOBRE A FÁBULA E CLICA A_fabula_dos_feijoes_cinzentos_25abril1

ABRIL

ABRIL

Havia uma lua de prata e sangueE_preciso_salvar_Abril_Henrique_Matos

em cada mão.

Era Abril.

Havia um vento

que empurrava o nosso olhar

e um momento de água clara a escorrer

pelo rosto das mães cansadas.

Era Abril

que descia aos tropeções

pelas ladeiras da cidade.

Abril

tingindo de perfume os hospitais

e colando um verso branco em cada farda.

Era Abril

o mês imprescindível que trazia

um sonho de bagos de romã

e o ar

a saber a framboesas.

Abril

um mês de flores concretas

colocadas na espoleta do desejo

flores pesadas de seiva e cânticos azuis

um mês de flores

um mês.

Havia barcos a voltar

de parte nenhuma

em Abril

e homens que escavavam a terra

em busca da vertical.

Ardiam as palavras

Nesse mês

e foram vistos

dicionários a voar

e mulheres que se despiam abraçando

a pele das oliveiras.

Era Abril que veio e que partiu.

Abril

a deixar sementes prateadas

germinando longamente

no olhar dos meninos por haver.

                                                                                   José Fanha

AS CORES DA LIBERDADE

QUEM A TEM…

Não hei-de morrer sem saberave823232

Qual a cor da liberdade.

 

Eu não posso senão ser

desta terra em que nasci.

Embora ao mundo pertença

e sempre a verdade vença,

qual será ser livre aqui,

não hei-de morrer sem saber.

 

Trocaram tudo em maldade,

é quase um crime viver.

Mas embora escondam tudo

e me queiram cego e mudo

não hei-de morrer sem saber

qual a cor da liberdade.

Jorge de Sena, Poesia II

CANTIGA DE ABRIL

Às Forças Armadas e ao povo de Portugal

«Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade»

Jorge de Sena

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.Cartaz 25 Abril

Quase, quase cinquenta anos

reinaram neste país,

a conta de tantos danos,

de tantos crimes e enganos

chegava até à raiz.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Tantos morreram sem ver

o dia do despertar!

Tantos sem poder saber

com que letras escrever

com que palavras gritar!

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Essa paz do cemitério

toda prisão ou censura,

e o poder feito galdério,

sem limite e sem cautério,

todo embófia e sinecura.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Esses ricos sem vergonha,

esses pobres sem futuro,

essa emigração medonha,

e a tristeza uma peçonha

envenenando o ar puro.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Essas guerras de além-mar

gastando as armas e a gente,

esse morrer e matar

sem sinal de se acabar

por política demente.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Esse perder-se no mundo

o nome de Portugal,

essa amargura sem fundo

só miséria sem segundo,

só desespero fatal.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Quase, quase cinquenta anos

durou esta eternidade,

numa sombra de gusanos

e em negócios de ciganos,

entre mentira e maldade.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Saem tanques para a rua,

sai o povo logo atrás:

estala enfim altiva e nua,

com força que não recua,

a verdade mais veraz.

Qual a cor da liberdade?

É verde, verde e vermelha.

Jorge de Sena, 40 Anos de Servidão, 1979

Tão ATUAL!!! É preciso agir…

“Para que o mal triunfe basta que os homens bons nada façam.” –  Edmund Burke

Há dias, no programa da RTP1 “5 Para a Meia Noite“, apresentado por Nuno Markl, vi e ouvi Fernando Tordo cantar uma das canções que mais o celebrizou “Tourada“. Centrei a minha atenção na letra, onde Ary dos Santos faz uma crítica mordaz à sociedade portuguesa da época e à política do Estado Novo e dei-me a pensar como esta canção está tão atual. Carregada de metáforas críticas ao regime do Estado Novo e à situação social e económica do Portugal de então, conjeturei-me a fazer o paralelismo com o tempo presente e, sem dúvida nenhuma, a “Tourada” está atualíssima, só que o touro é outro.

Deixo-vos, aqui a letra e o vídeo e vejam como tenho razão.mafaldaesperando02

Clica – Tourada

Música: Fernando Tordo
Letra: Ary dos Santos

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.

Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo…

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.

HÁ UM PAÍS

HÁ UM PAÍS

Há um país
Que vive em democracia
Todos se excluíram
Do uso da cidadania

Deixou de haver alegria
No rosto do cidadão
Embora a criança sorria
Deixou de haver união

É preciso votar
Escolher os governantes
Mas, dá para perguntar
Escolho quais dirigentes?

Povo, isto é p’ra recordar
Tu tens o 4.º poder
Exerce o teu dever
Pensa e vai votar.

Não te deixes enganar
Direitos deves exigir
Mas não deves olvidar
Dos teus deveres cumprir

Só assim és um cidadão
Activo na sociedade
Coerente e com opinião
Também com responsabilidade

37 anos passaram
Desde que vivestes em opressão
Esmoreceste português
Esqueceste a revolução

Acorda, vai combater
Não te deixes abater
Expressa o teu pensar
P´ra liberdade guardar.

Levanta-te e vai lutar
Exerce a cidadania
E não deixes usurpar
O tesouro da democracia.

Fernand@maro

HAVIA UM PAÍS

HAVIA UM PAÍS

Havia um país
Que vivia em opressão
Os militares decidiram
Fazer uma revolução.

O vinte e cinco de Abril
Foi o dia da mudança
Gritou-se liberdade
Veio a paz e a bonança.

O MFA fez a revolução
Para o país mudar
Com o povo em comunhão
Para a democracia ganhar.

O cravo por simpatia
À revolução se uniu
Desta bela união
A liberdade surgiu.

A liberdade surgiu
Com muita, muita esperança
O sorriso floriu
No rosto de uma criança.

Com a liberdade veio
Um país em harmonia
Com o esforço de todos
Nasceu a democracia.

Guarda bem este tesouro
Não deixes roubar
Só assim tu podes
Manifestar o teu pensar.

Fernand@maro