História & Estórias

A verdadeira liberdade, aquela que cada um de nós vive, começa no momento em que somos capazes de entender que a nossa liberdade pode e deve coabitar com a liberdade do outro.
Só os indivíduos obstinados e lunáticos, que se julgam seres superiores, defendem e põem em prática a liberdade absoluta, do quero, posso e mando. Esquecem que a liberdade tem que ser constantemente conquistada e não é um objecto de que nos possamos assenhorear para sempre. Esquecem, ainda, que ela depende inteiramente da liberdade dos outros, assim como a liberdade dos outros depende da nossa.
Agostinho da Silva grande pensador e filósofo do séc. XX afirmava que a liberdade é a maior qualidade do ser humano. Transcrevo, aqui, um seu riquíssimo texto sobre as liberdades essenciais.

“As liberdades essenciais são três: liberdade de cultura, liberdade de organização social, liberdade económica. Pela liberdade de cultura, o homem poderá desenvolver ao máximo o seu espírito crítico e criador; ninguém lhe fechará nenhum domínio, ninguém impedirá que transmita aos outros o que tiver aprendido ou pensado. Pela liberdade de organização social, o homem intervém no arranjo da sua vida em sociedade, administrando e guiando, em sistemas cada vez mais perfeitos à medida que a sua cultura se for alargando; para o bom governante, cada cidadão não é uma cabeça de rebanho; é como que o aluno de uma escola de humanidade: tem de se educar para o melhor dos regimes, através dos regimes possíveis. Pela liberdade económica, o homem assegura o necessário para que o seu espírito se liberte de preocupações materiais e possa dedicar-se ao que existe de mais belo e de mais amplo; nenhum homem deve ser explorado por outro homem; ninguém deve, pela posse dos meios de produção e de transporte, que permitem explorar, pôr em perigo a sua liberdade de Espírito ou a liberdade de Espírito dos outros. No Reino Divino, na organização humana mais perfeita, não haverá nenhuma restrição de cultura, nenhuma coacção de governo, nenhuma propriedade. A tudo isto se poderá chegar gradualmente e pelo esforço fraterno de todos.”

Agostinho da Silva, in ‘Textos e Ensaios Filosóficos’

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